Clubes se reúnem com Federação Paulista de Futebol para debater restrição à publicidade de bets na cidade de São Paulo

(Foto: Rodrigo Corsi/Agência Paulistão)
(Foto: Rodrigo Corsi/Agência Paulistão)

Representantes de Corinthians, Juventus, Palmeiras, Santos e São Paulo demonstraram preocupação com possíveis perdas na arrecadação.

Resumo

  • Representantes de Corinthians, Juventus, Palmeiras, Santos e São Paulo se reuniram na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) para articular uma resposta contra o Projeto de Lei 560/2025, que visa proibir a publicidade de empresas de apostas de quota fixa em eventos esportivos na capital paulista.
  • O encontro reuniu 40 pessoas ligadas aos clubes e executivos de cinco empresas de apostas.
  • O projeto, de autoria do vereador João Jorge (MDB) e outros seis coautores, recebeu parecer favorável da CCJ da Câmara Municipal de São Paulo e pode ser votado em primeiro turno no plenário neste mês.
  • Os clubes temem prejuízos financeiros, já que a maior parte tem casas de apostas como patrocinadoras máster.
  • Durante a reunião, os clubes e a Federação discutiram campanhas educativas e articulação com lideranças políticas.
  • Caso aprovado em primeiro turno, o projeto deve passar por audiências públicas antes da segunda votação.

São Paulo.- Representantes de cinco clubes da cidade do estado de São Paulo se reuniram, na sexta-feira (11), na Federação Paulista de Futebol (FPF) para articular uma resposta contra o projeto de lei que visa a proibição da publicidades das empresas de apostas de quota fixa em eventos esportivos na capital paulista. Estiveram no encontro, membros das diretorias de Corinthians, Juventus, Palmeiras, Santos e São Paulo.

Segundo o ge, o encontro reuniu 40 pessoas ligadas aos departamentos de marketing, comunicação e jurídico dos clubes, além de executivos de cinco empresas de apostas de quota fixa que patrocinam os times. Os participantes debateram sobre o Projeto de Lei 560/2025, de autoria do vereador João Jorge (MDB) e outros seis coautores. A iniciativa recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo no dia 19 de agosto e pode ser votada em primeiro turno no plenário neste mês.

Veja também: Comissão da Câmara Municipal aprova a proibição de publicidade das bets em locais esportivos na cidade de São Paulo

O projeto de lei visa a proibição de divulgações de marcas de bets em estádios, arenas, ginásios e centros de treinamento, entre outras formas de propaganda. Os clubes temem que as receitas sejam prejudicadas, já que a maior parte dos times tem casas de apostas como patrocinadoras máster. Levando-se em consideração apenas os valores fixos pela exposição de marcas de bets nas camisas, os patrocínios de Corinthians, Palmeiras e São Paulo somam mais de R$ 350 milhões (US$ 68 milhões) fixos por ano.

Segundo o texto do projeto de lei, a publicidade das bets seriam vedadas em “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais, realizados no Município de São Paulo, em espaços públicos ou privados”. O impedimento da propaganda seria também em placas, faixas e painéis em praças esportivas.

Quem continuasse a divulgar bets em eventos após a aprovação do projeto poderia ter de pagar multas de R$ 50 mil (US$ 9.713). As punições poderiam chegar ao veto de realizar eventos por dois anos.

A FPF, entidade que organiza as competições profissionais do esporte no estado, também se engajou na campanha contra o projeto de lei e chegou a enviar um ofício ao Poder Executivo. A instituição considera que a medida geraria uma disparidade financeira com times de outras cidades que permitem a propaganda de bets.

“Se os clubes da cidade de São Paulo perderem as receitas das marcas de apostas, uma de suas principais fontes de faturamento, enquanto adversários de outros estados puderem mantê-la, haverá uma disparidade que chegará ao campo. Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos”, disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos no ofício.

Durante a reunião da sexta-feira, os clubes e a Federação discutiram também a realização de campanhas educativas e ações coletivas para tentar conscientizar sobre os problemas financeiros que a lei poderia acarretar. Além disso, as entidades devem buscar articulação com líderes políticos.

Caso o projeto seja aprovado no primeiro turno, ele não deve ser votado novamente logo em seguida. De acordo com a apuração do ge, devem ser realizadas audiências públicas para discutir ajustes no texto antes da segunda votação. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) já declarou que assinaria a sanção do projeto “assim que for aprovado pelos vereadores”.

Neste artigo:
Apostas esportivas Finanças futebol Regulamentação do jogo