Clubes de futebol se articulam contra projeto que pode proibir a publicidade de bets na cidade de São Paulo

Clubes de futebol se articulam contra projeto que pode proibir a publicidade de bets na cidade de São Paulo

O projeto de lei poderia vetar a propaganda de bets em estádios, arenas, ginásios e centros de treinamento.

São Paulo.- Os clubes de futebol da cidade de São Paulo estão se articulando contra o projeto de lei que visa a proibição da publicidades das empresas de apostas de quota fixa em eventos esportivos na capital paulista.

Segundo o ge, as equipes esportivas estariam preocupadas com a proibição de divulgações em estádios, arenas, ginásios e centros de treinamento, entre outras formas de propaganda.

Veja também: Comissão da Câmara Municipal aprova a proibição de publicidade das bets em locais esportivos na cidade de São Paulo

A proposta que despertou a atenção dos times paulistas é o Projeto de Lei 560/2025, de autoria do vereador João Jorge (MDB) e outros seis coautores. A iniciativa recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo no dia 19 deste mês.

“São vários e relevantes riscos sociais, econômicos e psicossociais decorrentes da crescente influência desse setor na esfera esportiva e na vida cotidiana dos cidadãos, em especial de crianças, adolescentes e jovens atletas. A maioria dos apostadores pertence a famílias com renda mensal de até três salários mínimos, o que evidencia a vulnerabilidade econômica dos principais usuários desses serviços”, afirmou João Jorge na justificativa do projeto.

Segundo o texto do projeto de lei, a publicidade das bets seriam vedadas em “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais, realizados no Município de São Paulo, em espaços públicos ou privados”. O impedimento da propaganda seria também em placas, faixas e painéis em praças esportivas.

Quem continuasse a divulgar bets em eventos após a aprovação do projeto poderia ter de pagar multas de R$ 50 mil (US$ 9.713). As punições poderiam chegar ao veto de realizar eventos por dois anos.

O veto poderia ter impactos em uma das principais fontes de arrecadação dos clubes, os acordos com empresas de apostas online. Levando-se em consideração apenas os valores fixos pela exposição de marcas de bets nos espaços de patrocínios master nas camisas, Corinthians, Palmeiras e São Paulo somam mais de R$ 350 milhões (US$ 68 milhões) fixos por ano.

De acordo com o ge, representantes do futebol paulista realizaram uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) na sexta-feira (21) para argumentar contra a aprovação da proposta.

A Federação Paulista de Futebol (FPF), entidade que organiza as competições profissionais do esporte no estado, também se engajou na campanha contra o projeto de lei e chegou a enviar um ofício ao Poder Executivo. A instituição considera que a medida geraria uma disparidade financeira com times de outras cidades que permitem a propaganda de bets.

“Se os clubes da cidade de São Paulo perderem as receitas das marcas de apostas, uma de suas principais fontes de faturamento, enquanto adversários de outros estados puderem mantê-la, haverá uma disparidade que chegará ao campo. Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos”, disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.

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