Proibição das bets vira preocupação na campanha de Lula no 2º turno
Campanha do candidato a reeleição vê impacto negativo da proibição das bets após primeiro turno. Avaliação interna mudou após resultado das urnas neste domingo (4).
Resumo
- Integrantes da campanha de Lula avaliam que a proibição das bets prejudicou o presidente no primeiro turno.
- Monitoramento da campanha identificou influenciadores incentivando voto útil em Flávio Bolsonaro como reação ao banimento das apostas online.
- A percepção contrasta com a estratégia inicial da campanha, que esperava ganho eleitoral com a proibição.
- Aliados agora temem que o desgaste aumente com o bloqueio efetivo das plataformas, especialmente entre apostadores.
- A decisão de proibir as bets não era consenso no entorno de Lula e passa a ser acompanhada com maior preocupação no segundo turno.
Brasília,- Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a avaliar que a proibição das apostas online teve impacto negativo sobre sua candidatura no primeiro turno das eleições presidenciais. A percepção contrasta com a expectativa inicial de que o banimento poderia fortalecer eleitoralmente o presidente na reta final da disputa.
Segundo a apuração do jornal o Globo, a campanha identificou nas redes sociais movimentos de influenciadores com alcance entre o público de classe C incentivando o voto útil em Flávio Bolsonaro (PL) em reação à decisão do governo de acabar com as bets. A proibição foi anunciada em 25 de setembro, nove dias antes do primeiro turno, por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026. A iniciativa colocou as apostas online no centro do debate eleitoral durante os últimos dias da campanha.
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Antes da votação, o diagnóstico dentro da campanha era diferente. Levantamentos quantitativos, qualitativos e de comportamento digital acompanhados pela equipe de Lula indicavam boa receptividade à ofensiva contra as apostas. A estratégia era transformar o combate às bets em uma das principais bandeiras da reta final.
Uma pesquisa PoderData/Aya divulgada na véspera da eleição também apontava uma percepção majoritariamente favorável ao efeito eleitoral da decisão: 43% dos entrevistados acreditavam que a proibição ajudava a campanha de Lula, enquanto 31% avaliavam que a medida poderia prejudicá-lo.
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O resultado do primeiro turno, que acabaou com Flávio Bolsonaro (PL) obtendo 47,03% dos votos contra 45,16% do atual presidente da República, levou integrantes da campanha petista a rever essa leitura.
Segundo O Globo, o monitoramento realizado pela equipe passou a ser interpretado como um indicativo de que a medida também mobilizou eleitores contrários à proibição, especialmente entre pessoas que utilizavam as plataformas.
Campanha teme reação ao bloqueio das bets
A preocupação agora se volta para os próximos efeitos da medida. A avaliação interna é de que o desgaste pode aumentar quando as plataformas forem efetivamente retiradas do ar nesta terça-feira (6), conforme determina a MP. Até esse momento, apostadores com recursos depositados ainda conseguem acessar as plataformas. A campanha teme que a interrupção definitiva dos serviços amplie a reação negativa entre esse público.
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O tema ganha ainda mais relevância diante do segundo turno presidencial. A disputa segue em um cenário apertado, o que aumenta o peso político de decisões capazes de mobilizar grupos específicos de eleitores.
Proibição do mercado regulado de apostas não foi consenso dentro do governo
A decisão de proibir o mercado regulado de apostas de quota fixa por meio de uma medida provisória (MP) não foi consenso no governo federal, de acordo com a apuração da analista de Política Larissa Rodrigues para o CNN 360º.
Segundo a CNN Brasil, uma ala do Partido dos Trabalhadores (PT) tentou fazer Lula mudar de ideia sobre um veto total e imediato. O presidente do partido, Edinho Silva, por exemplo, defendia um período de transição antes da proibição completa do setor.
Antes da decisão sobre o texto final da MP, houve muita discussão entre líderes do governo e o marketing da campanha de reeleição do presidente, que foi o que mais pesou no final. O Ministério da Fazenda, por outro lado, observa de perto as consequências da medida para a arrecadação do país. Só em 2026, o setor de apostas já rendeu um recolhimento de tributações que somam mais de R$ 9,91 bilhões (US$ 1,9 bilhão).
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News