Bets no Brasil: Câmara recebe mais um projeto para acabar com as apostas legalizadas
Proposta prevê o fim da regulamentação das apostas de quota fixa e determina o bloqueio de plataformas e meios de pagamento ligados ao setor.
Brasília.- O deputado federal Marcos Tavares (PDT-RJ) apresentou o Projeto de Lei nº 4.853/2026, que propõe revogar a Lei nº 14.790/2023 e proibir, em todo o território nacional, a exploração, operação, comercialização, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa.
Caso seja aprovado, o projeto extinguirá as autorizações concedidas pelo Governo Federal para operadores do setor e proibirá a oferta de apostas por qualquer meio, incluindo plataformas digitais, aplicativos, redes sociais e estabelecimentos físicos. A proposta também veta ações de publicidade, patrocínio esportivo, marketing de influência, exposição de marcas, bônus promocionais e programas de fidelidade voltados à captação de apostadores.
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O texto ainda determina que órgãos federais adotem medidas para bloquear plataformas e domínios utilizados para a oferta de apostas, interromper serviços de pagamento relacionados à atividade e reforçar a cooperação com autoridades nacionais e internacionais para combater operações irregulares. Caso aprovado, o PL determina que as empresas que atualmente operam no mercado encerrem as atividades no prazo de 90 dias, sob pena de sanções administrativas, como multas, suspensão das operações, bloqueio de ativos e cassação de eventuais autorizações.
Na justificativa, Marcos Tavares afirma que a regulamentação implementada pela Lei nº 14.790/2023 “não tem se mostrado suficiente para prevenir os relevantes impactos sociais, econômicos e institucionais decorrentes da expansão dessa atividade”. Segundo o parlamentar, embora a legislação tenha criado regras para autorização, fiscalização e proteção aos apostadores, “a evolução da atividade demonstra que a regulamentação, por si só, não eliminou os riscos inerentes ao modelo econômico das apostas”.
O deputado também argumenta que o crescimento do mercado ampliou significativamente a presença das empresas de apostas na sociedade. Conforme a justificativa, “empresas do setor passaram a ocupar espaços de grande visibilidade mediante patrocínio de clubes, campeonatos, transmissões esportivas, eventos culturais, influenciadores digitais e campanhas publicitárias de elevada capilaridade”, cenário que, segundo o texto, “amplia a exposição cotidiana da população à prática das apostas”.
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Outro ponto destacado é o impacto econômico e social da atividade. O projeto sustenta que “a preservação da renda das famílias brasileiras, especialmente daquelas em situação de maior vulnerabilidade econômica, representa interesse público de elevada relevância constitucional” e alerta que “o comprometimento crescente da renda disponível com atividades de elevado risco financeiro pode produzir efeitos indiretos sobre o consumo, o orçamento doméstico, a capacidade de poupança e o próprio desenvolvimento econômico”.
Na área da saúde pública, a justificativa cita a ludopatia, transtorno relacionado ao jogo, e afirma que “a ampliação do acesso permanente às plataformas digitais de apostas potencializa desafios para as políticas públicas de saúde mental”. O texto também defende maior proteção a crianças e adolescentes, argumentando que a ampla divulgação das plataformas em transmissões esportivas, redes sociais e ações de marketing aumenta a exposição desse público às apostas.
Ao defender a revogação da atual legislação, o deputado afirma que a proposta busca impedir a continuidade da atividade de forma ampla, abrangendo “não apenas a operação das plataformas, mas também sua publicidade, intermediação, promoção comercial e utilização de mecanismos financeiros destinados à viabilização da atividade, evitando lacunas interpretativas e assegurando maior efetividade ao comando legal”.
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Segundo Marcos Tavares, a iniciativa é “orientada pela proteção do interesse público, da economia popular, da saúde coletiva, da família, da infância, da juventude e da integridade das competições esportivas”, e pretende reforçar a atuação do Estado na formulação de políticas voltadas à preservação do bem-estar social.
Protocolado na Câmara dos Deputados, o projeto ainda será distribuído às comissões competentes para análise. Se aprovado pelos parlamentares, seguirá para apreciação do Senado e, posteriormente, para sanção ou veto da Presidência da República
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News