Proibir o mercado legal de apostas seria uma “festa” para o crime organizado, alerta executivo da Betano
O diretor de Relações Públicas da empresa de igaming afirma que as bets licenciadas não as responsáveis pelo endividamento dos brasileiros.
A discussão sobre a possibilidade de proibir as apostas de quota fixa no Brasil tem gerado repercussão na indústria de jogos de igaming. O diretor de Relações Públicas da Betano no país, Guilherme Figueiredo, concedeu uma entrevista para a Veja e comentou sobre esse assunto.
As empresas de jogos online têm sido acusadas de serem as principais responsáveis pelo endividamento das famílias pelo governo e por empresários do setor varejista. Além disso, o setor tem sido responsabilizado pelo vício em jogos. Figueiredo se posicionou contra essas acusações.
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Segundo o executivo, a proibição dos jogos teria consequências negativas para a população. “Se isso acontecer, as organizações criminosas farão uma festa. As pessoas continuarão apostando. A questão é se farão em um canal legal ou em um ilegal”, declarou Figueiredo.
Sobre a acusação de as apostas serem o principal causador de endividamento, o executivo afirmou: “Quem diz isso ignora como o mercado funciona. Os gastos com as bets reguladas foi equivalente a 0,46% do consumo das famílias brasileiras no ano passado. É menos do que os brasileiros gastam com serviços de streaming. Você já ouviu alguém reclamar que as famílias estão endividadas porque assinaram a Netflix?”
“O gasto médio por apostador é de R$ 122 (US$ 25) por mês. Você gasta mais do que isso se for ao cinema e comprar pipoca. Ir ao estádio assistir um jogo de futebol com a família pode também custar mais do que isso”, acrescentou o representante da Betano.
Na visão do executivo, o verdadeiro vilão do orçamento doméstico são os juros abusivos do crédito rotativo. “Os brasileiros pagaram R$ 689 bilhões (US$ 140,8 bilhões) em juros no ano passado”, apontou Guilherme.
Questionado sobre o programa Desenrola 2.0 impedir os inscritos de apostar, Figueiredo declarou que seria melhor adotar medidas educativas sobre o jogo responsável ao invés de afastar as pessoas das plataformas legalizadas. “Não adianta bloquear, porque a pessoa vai apostar em sites ilegais. No mercado regulado, a pessoa seria monitorada e as informações ajudariam o governo a tomar decisões muito mais embasadas. Não endividamos famílias. Os números mostram que não somos o problema”, disse.