STF pode decidir nesta quinta-feira legalidade do jogo do bicho, bingo e caça-níqueis no Brasil

STF pode decidir nesta quinta-feira legalidade do jogo do bicho, bingo e caça-níqueis no Brasil

Julgamento começou na quarta-feira (5), mas foi suspenso seguindo uma solicitação do relator, ministro Luiz Fux.

Brasília.- O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta semana as sessões presenciais de julgamento após o recesso do Judiciário. A entidade começou a analisar, na quarta-feira (5), um processo que pode redefinir o enquadramento jurídico dos jogos de azar no Brasil. O julgamento terá repercussão geral, o que significa que o entendimento firmado pela Corte deverá ser seguido por todo o Poder Judiciário.

Na pauta está o Recurso Extraordinário (RE) 966.177, originário do Rio Grande do Sul. O processo discute se a proibição dos jogos de azar, prevista na Lei de Contravenções Penais de 1941, permanece compatível com a Constituição Federal de 1988 ou se deixou de ter validade com a nova ordem constitucional.

No primeiro dia do julgamento, foram realizadas sustentações orais das partes envolvidos na ação. O relator do processo, o ministro Luiz Fux, começou a leitura do seu voto, mas não chegou a concluir a fala. O relator solicitou que a sessão fosse encerrada e retomada nesta quinta-feira (6), quando continuará com a apresentação do parecer.

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“Nesse caminhar, eu vou abordar as contravenções penais e os jogos de azar em um sentido amplo, com todas as suas consequências. Para que possamos avaliar se estamos protegendo o bem jurídico de maior valor, que é a proteção da sociedade. Para isso, vou precisar dispor de mais 16 páginas, no vagar que o tema exige”, argumentou Fux para defender o adiamento da sessão.

O RE 966.177 foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra uma decisão da Turma Recursal dos Juizados Especiais Criminais, que afastou o enquadramento dos jogos de azar como contravenção penal por entender que a norma pode entrar em conflito com princípios constitucionais.

Na prática, o STF não decidirá sobre a legalização de cassinos, bingos ou outras modalidades de jogos de azar. O julgamento se limitará a definir se a atual proibição pode continuar sendo aplicada como contravenção penal com base na legislação em vigor.

Caso a maioria dos ministros conclua que a norma não foi recepcionada pela Constituição de 1988, os jogos de azar deixarão de ser considerados contravenção penal. Ainda assim, uma eventual autorização para exploração dessas modalidades dependerá de regulamentação aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo governo federal. Se prevalecer o entendimento atual, a proibição continuará em vigor.

O julgamento ocorre em meio à reorganização do mercado brasileiro de apostas. As apostas esportivas e os jogos online de quota fixa já operam sob regulamentação federal, enquanto cassinos, bingos e o jogo do bicho permanecem proibidos.

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