Jornalistas Paulo Vinicius Coelho e Mauro Cezar Pereira se posicionam contra a proibição das apostas
Os jornalistas publicaram artigos sobre possíveis consequências do encerramento do mercado por meio de uma medida provisória.
Resumo
- Jornalista manifestaram preocupação com possível medida provisória do governo federal que pode proibir o mercado de apostas de quota fixa.
- Paulo Vinicius Coelho e Mauro Cezar Pereira publicaram artigos demonstrando receio de que a medida gere mais problemas do que benefícios.
- PVC ressaltou que a proibição não acabará com apostas e apostadores e pode quebrar a indústria do futebol.
- PVC lembrou que as apostas já eram proibidas antes e mesmo assim os usuários acessavam sites internacionais, defendendo que a única saída é regular, informar, educar, aumentar o rigor e cancelar a publicidade, mas com prazo de adaptação.
- Mauro Cezar afirmou que as apostas de quota fixa viraram uma das principais fontes comerciais do futebol, com o patrocínio máster na Série A chegando a cerca de R$ 1 bilhão por ano.
- Mauro Cezar declarou que o Planalto pondera o risco político da medida provisória e que o mercado ilegal já ganhou espaço, podendo se fortalecer com a proibição.
Após o governo federal demonstrar a intenção de publicar uma medida provisória para restringir ou até mesmo proibir o mercado de apostas de quota fixa no país, diversas pessoas e instituições declararam preocupação com essa possível atitude, entre elas, as entidades que representam o setor regulado de igaming no Brasil.
Na quinta-feira (17), os jornalistas esportivos Paulo Vinicius Coelho, o “PVC”, e Mauro Cezar Pereira publicaram artigos no site UOL comentando sobre a proibição do setor regulado de apostas. Os jornalistas demonstraram receio que a medida possa gerar mais problemas do que benefícios para a população.
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PVC ressaltou as consequência do fim do mercado regulado de igaming para o futebol brasileiro. “Por mais bem intencionados que sejam os movimentos pela extinção das bets, há uma certa falta de realismo ao julgar que a proibição acabará com apostas e apostadores. Diferentemente disso, pode quebrar a indústria do futebol se for tomada sem tempo de adaptação, ao menos. Os clubes se manifestam sobre a possibilidade de perda de R$ 1 bilhão em patrocínios, mais de 15 mil famílias sem empregos”, afirmou.
“Durante o governo Michel Temer, as apostas eram proibidas e, mesmo assim, os caras entravam em sites de qualquer lugar do mundo para apostar. Só no fim do governo Temer houve a legalização. O governo Bolsonaro fracassou na missão de regulamentar em dois anos. Ajudaria a combater o vício mais rápido. Com o trabalho da Secretaria da Fazenda, a regulamentação fez sites legalizados pagarem impostos, gerarem empregos e terem obrigação de trabalhar contra o vício”, disse Coelho.
“Isso tudo precisa ser aprimorado. Há muito trabalho a fazer. Proibir é recolocar os apostadores, os viciados e os endividados de volta no mercado clandestino. Alguém vai conseguir bloquear os aplicativos internacionais e os acessos pela internet? Até na China alguém acessa o que quiser com uma VPN. Então, parece faltar senso de realidade num mundo tão tecnológico em que é proibido proibir”, complementou o jornalista.
“A única saída parece ser regular. Informar, educar, aumentar o rigor, cancelar a publicidade, mas com prazo para quem nadou na permissão possa se readaptar às restrições. Na Inglaterra, houve três anos de prazo para acabar com as propagandas na parte frontal dos uniformes de clubes. Houve prazo para a indústria não falir. Esse realismo é essencial. Não pode ser casuísmo eleitoral. Não pode ser da noite para o dia. As bets são assunto extremamente delicado. Sua regulação, fundamental. Razão suficiente para não tomar nenhuma decisão afoita. Acabar com as apostas não acabará com o apostador. Pôde até deixá-lo mais exposto ao vício e à clandestinidade”, argumenta PVC.
Mauro Cezar também abordou a consequência do fim das bets para o esporte. “As apostas de quota fixa viraram uma das principais fontes comerciais do futebol. Só o patrocínio máster na Série A chega a cerca R$ 1 bilhão por temporada. No primeiro semestre de 2025, as destinações já haviam superado R$ 1,6 bilhão distribuídos entre clubes, atletas e o sistema esportivo”, afirmou.
O jornalista declarou que ouviu fontes do governo e que a presidência pondera o risco político da medida provisória. “O próprio Lula sabe que uma MP nesses termos teria pouca chance no Congresso, que já travou medidas de controle mais duras. Outra fonte disse que, na terça-feira, ele foi avisado de que as torcidas podem virar contra ele se os clubes amargarem o rombo. Ou seja: o Planalto não ficou cego. Está calculando se o gesto antibet melhora os números das pesquisas e se o Legislativo segura o resto. Medida provisória de efeito imediato serve a esse calendário. Não serve à fiscalização que a lei já prevê e que o governo não implementou por inteiro. O mercado ilegal, esse sim, já ganhou o intervalo e pode se fortalecer“, disse Mauro Cezar.
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News