Coaf investiga empresário que ganhou 920 prêmios de loterias em 2024
Antônio Carlos Freixo Júnior teria feito remessas milionárias para financiar Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Resumo
- O Coaf identificou que o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, recebeu 920 prêmios de loterias em 2024, totalizando mais de R$ 9,8 milhões.
- Freixo Júnior é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção e ameaça.
- Segundo o relatório, o empresário gastou R$ 28,4 milhões na compra dos 920 bilhetes entre agosto e dezembro de 2024, em modalidades como Lotofácil, Mega-Sena, Super Sete, Dupla Sena e +Milionária.
- A Caixa Loterias comunicou o Coaf sobre o volume atípico de apostas, e o Conselho afirmou que não se pode descartar a possibilidade de execução de apostas em favor de terceiros.
- O Coaf questiona como os jogos foram feitos, já que Freixo teria declarado renda mensal de R$ 3,3 milhões.
- O ministro André Mendonça, do STF, homologou o acordo de colaboração premiada do empresário.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro“, recebeu 920 prêmios de loterias em 2024. De acordo com o relatório da instituição, Freixo teria ganhado mais de R$ 9,8 milhões (US$ 1,9 milhão). O documento foi adicionado à investigação do escândalo do Banco Master.
De acordo com o SBT News, o empresário é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está sendo investigado por suspeita de fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção e ameaça. Freixo é dono da empresa Entre Investimentos e Participações, que teria enviado dinheiro para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Veja também: Operação contra sorteios e rifas ilegais: polícia cumpre mandados em quatro cidades de São Paulo
Segundo o relatório do Coaf, Freixo gastou R$ 28,4 milhões (US$ 5,5 milhão) na compra dos 920 bilhetes entre agosto e dezembro de 2024. O empresário realizou apostas em diferentes modalidades, como Lotofácil, Mega-Sena, Super Sete, Dupla Sena e +Milionária.
A quantidade de apostas feitas em um curto período de tempo chamou a atenção da Caixa Loterias, que enviou um comunicado ao Coaf. No relatório, o Conselho afirmou que “não se pode descartar a possibilidade de execução de apostas em favor de outros atores que não o próprio apostador”. A instituição também considerou o volume de aquisição de bilhetes como atípico, sobretudo porque em alguns casos foi comprada a maior aposta possível das modalidades.
Além disso, a análise do Coaf ainda questiona como esses jogos teriam sido feitos já que “Mineiro” teria declarado renda mensal de R$ 3,3 milhões (US$ 644.437). Essa não foi a primeira vez que o empresário teria feito grandes apostas em lotéricas. Em 2022, ele gastou de R$ 19,9 milhões (US$ 3,9 milhões) em 3.143 bilhetes lotéricos, que renderam uma premiação de R$ 39 milhões (US$ 7,6 milhões).
Por fim, o Coaf não atribuiu diretamente nenhum crime a Freixo, mas ressaltou que o uso de loterias para lavagem de dinheiro é uma prática conhecida. A reportagem do SBT News procurou a defesa de Freixo Júnior, que não se manifestou.
O envolvimento do empresário no caso do Banco Master segue sob segredo de Justiça. Na terça-feira (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo de colaboração premiada de Freixo Júnior.
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News