Fim das bets deixa esporte olímpico e paralímpico do Brasil sem R$ 2,6 bilhões
COB estima perda de recursos até 2027; CPB, clubes e confederações também terão de readequar seus orçamentos.
Resumo
- O fim das bets pode retirar cerca de R$ 2,6 bilhões do esporte olímpico e paralímpico até 2027.
- A estimativa considera aproximadamente R$ 497 milhões em 2026 e R$ 2,1 bilhões em 2027.
- COB, CPB, CBC, confederações e outras entidades eram beneficiados pelos repasses previstos na Lei nº 14.790/2023.
- O COB projetava receber entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em 2027, a dois anos dos Jogos de Los Angeles-2028.
- O impacto pode ser ainda maior, já que o cálculo não inclui recursos recebidos diretamente por confederações em razão das apostas em suas modalidades.
A proibição das bets no Brasil pode retirar cerca de R$ 2,623 bilhões do esporte olímpico e paralímpico até o fim de 2027. A estimativa foi calculada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e considera recursos que deixariam de ser destinados ao Ministério do Esporte, ao COB, ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e a outras entidades. As informações foram publicadas pelo O Globo.
Do total projetado, aproximadamente R$ 497 milhões correspondem aos repasses esperados entre outubro e dezembro de 2026, enquanto outros R$ 2,1 bilhões estavam previstos para 2027. O cálculo tomou como referência os valores recebidos entre 2025 e setembro deste ano e não inclui recursos destinados diretamente às confederações em razão das apostas realizadas em suas modalidades.
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Os repasses faziam parte do modelo estabelecido pela Lei nº 14.790/2023. Pela legislação, 36% da arrecadação das apostas tinha destinação relacionada ao esporte. Desse montante, 22,20% iam para o Ministério do Esporte, 2,20% para o COB, 1,30% para o CPB e 0,70% para o CBC, além de percentuais destinados a outras entidades esportivas e aos estados e Distrito Federal.
No COB, a projeção era receber entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em 2027, montante equivalente a aproximadamente 20% do orçamento anual da entidade, estimado em R$ 600 milhões. Entre 2025 e setembro de 2026, o comitê recebeu cerca de R$ 200 milhões provenientes das apostas e esperava outros R$ 25 milhões até o fim deste ano.
A entidade afirma que a preparação do Time Brasil para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 continuará como prioridade. Para compensar a perda de receita, entretanto, o COB avalia cortar despesas em outras áreas e utilizar recursos do fundo de reserva. Projetos como a ampliação dos Jogos da Juventude também poderão ser adiados.
“Nosso maior impacto será no ano que vem porque não terá arrecadação. Ou seja, são R$ 125 milhões a menos a dois anos dos Jogos Olímpicos, e claro isso terá consequências”, afirmou o presidente do COB, Marco La Porta, a O Globo. Segundo ele, a entidade terá de voltar a trabalhar com um nível de recursos semelhante ao período anterior à entrada dessa receita.
O impacto também alcança o esporte paralímpico. O CPB recebeu R$ 57,4 milhões provenientes das bets em 2025 e outros R$ 54,1 milhões até setembro de 2026. Para 2027, a projeção era receber aproximadamente R$ 82,1 milhões. Já o CBC estima uma redução de cerca de R$ 50 milhões em receitas.
Confederações esportivas também terão de rever seus planejamentos. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 13 milhões provenientes das apostas em 2025 e cerca de R$ 6 milhões em 2026. A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), por sua vez, recebeu aproximadamente R$ 5 milhões desde abril de 2025, recursos que estavam previstos para investimentos em alto rendimento e formação de atletas.
Segundo Marco La Porta, o COB pretende preservar os repasses programados às confederações, mas não prevê aumentá-los. Em 2026, foram programados R$ 285 milhões para projetos das entidades. Parte dos recursos provenientes das bets havia sido direcionada ao fundo de reserva técnica do COB, enquanto os repasses às confederações foram ampliados com verbas da Lei Agnelo Piva.
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Com a interrupção dessa fonte de receita, entidades olímpicas, paralímpicas, clubes e confederações terão de reorganizar seus orçamentos durante o ciclo para Los Angeles-2028. O impacto total ainda poderá superar os R$ 2,623 bilhões, já que a estimativa não contabiliza valores que algumas confederações recebiam diretamente em razão das apostas realizadas em suas modalidades.