Mais de 10 mil pessoas buscaram atendimento por jogo compulsivo entre 2018 e 2025, afirma Ministério da Saúde

Mais de 10 mil pessoas buscaram atendimento por jogo compulsivo entre 2018 e 2025, afirma Ministério da Saúde

O órgão público estima que o número real de pessoas com vício em apostas é maior.

Resumo

  • O Ministério da Saúde registrou 10.553 atendimentos no SUS relacionados ao vício em jogos de azar entre 2018 e 2025, representando um crescimento de 104% em relação ao período anterior à liberação das apostas online.
  • A pasta afirma que o número real de pessoas com transtornos causados pelo jogo compulsivo provavelmente é maior, devido à subnotificação de casos.
  • O Ministério anunciou a ampliação do teleatendimento para jogadores compulsivos maiores de 18 anos, familiares e rede de apoio, passando a oferecer 100 mil atendimentos remotos por mês pelo SUS.
  • Segundo o LENAD III, 7,3% da população brasileira apresenta indícios de jogo problemático e cerca de 1,4 milhão de pessoas desenvolveu dependência em apostas.
  • Três sinais de alerta para ludopatia: usar o jogo para fugir de problemas, apostar para recuperar perdas e falta de controle com gastos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 10.553 atendimentos foram realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao vício em jogos de azar entre os anos de 2018 e 2025. Segundo a pasta, esses acolhimentos representam em crescimento de 104% em relação ao período anterior à liberação das apostas online.

Ainda de acordo com o Ministério, o número atual de pessoas com transtornos causados pelo jogo compulsivo deve ser maior, já que provavelmente há uma subnotificação de casos. No início do mês, a pasta anunciou a ampliação do serviço de teleatendimento para pessoas com suspeita de vício em jogos de azar. A pasta passou a oferecer 100 mil atendimentos remotos por mês pelo SUS a jogadores compulsivos maiores de 18 anos, seus familiares e integrantes da rede de apoio.

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Os teleatendimentos foram criados no mês de março deste ano, com uma oferta inicial de 600 consulta online mensais realizadas em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). De março até agora, 27.703 pessoas se cadastraram para receber o atendimento gratuito, segundo dados do ministério.

Profissionais da saúde projetam, entretanto, uma parcela ainda maior da população apresenta risco de desenvolver dependência dos jogos. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), 7,3% da população brasileira já apresenta indícios de jogo problemático e cerca de 1,4 milhão de pessoas desenvolveu dependência em apostas, segundo uma publicação de O Globo.

O psiquiatra Emílio Tazinaffo, pesquisador em dependências comportamentais pela USP e co-coordenador do Programa Elibrè para Jogos & Apostas, afirma que há três sinais que devem ser observados em suspeitas de ludopatia:

“O indivíduo que usa o jogo para se desligar ou fugir dos problemas, fica apostando para recuperar o que perdeu e não tem controle com os gastos, como planejar apostar R$ 10 e acabar gastando R$ 200. Se a pessoa tem esses três sintomas, a chance de estar adoecida é de quase 100%”, afirma Tazinaffo.

Para o pesquisador, os grupos de risco para desenvolver transtornos relacionados a apostas são as pessoas que já possuem outros transtornos psiquiátricos, os mais jovens e pessoas de classe socioeconômica mais baixa. O psiquiatra ressalta, por outro lado, que pessoas fora desses perfis também podem se viciar. “Um fenômeno muito triste dos transtornos do jogo que vemos na prática clínica são muitos pais ou mães de família, super responsáveis, que não tinham nenhuma outra dependência, começaram a brincar de bobeira e migraram com o adoecimento”, disse Tazinaffo a O Globo.

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