Apostas online: um em cada cinco estudantes brasileiros afirma já ter apostado

Apostas online: um em cada cinco estudantes brasileiros afirma já ter apostado

Pesquisa com alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio aponta que percentual chega a 49,7% entre estudantes do 3º ano.

Resumo

  • 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirmam já ter feito apostas online.
  • No 3º ano do ensino médio, o percentual chega a 49,7% dos alunos pesquisados.
  • Entre estudantes de até 11 anos, 9,5% disseram já ter apostado, apesar da proibição para menores de 18 anos.
  • Os meninos apostam mais: 27,8% afirmaram já ter apostado, contra 12,6% das meninas.
  • A pesquisa estima que as perdas financeiras agregadas podem superar R$ 1 bilhão entre o público analisado.

Um em cada cinco estudantes brasileiros dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirma já ter realizado apostas online. O percentual é de 20,4%, segundo levantamento divulgado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com a Equidade.info.

Segundo a Agência Brasil, a pesquisa ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de diferentes regiões do país. Entre alunos do 3º ano do ensino médio, a proporção dos que afirmam já ter apostado chega a 49,7%.

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Os dados também mostram que o contato com as apostas começa cedo. Entre estudantes de até 11 anos, 9,5% disseram já ter feito algum tipo de aposta online. No Brasil, menores de 18 anos são proibidos de apostar nas plataformas regulamentadas.

O levantamento identificou ainda uma diferença significativa entre meninos e meninas. Entre os estudantes do sexo masculino, 27,8% afirmaram já ter apostado, contra 12,6% entre as meninas.

A participação cresce conforme o avanço da escolaridade. No ensino médio, 41,7% dos meninos relataram experiência com apostas, mais que o dobro dos 19% registrados entre alunos do sexo masculino nos anos finais do ensino fundamental.

Coordenador do levantamento, o professor e pesquisador Guilherme Lichand avalia que medidas concentradas apenas no comportamento individual dos apostadores são insuficientes para reduzir a exposição às plataformas.

“Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, destacou.

Segundo o pesquisador, os resultados também indicam que a educação financeira, isoladamente, não tem sido suficiente para impedir o contato dos estudantes com as apostas online.

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A pesquisa estima que as perdas financeiras agregadas possam ultrapassar R$ 1 bilhão (US$ 196 milhões) entre o público analisado. Diante dos resultados, os responsáveis pelo estudo defendem medidas como maior tributação das transações realizadas nas plataformas, restrições à publicidade e mecanismos específicos de proteção para menores de 18 anos.

O levantamento foi realizado entre agosto e setembro, por meio de entrevistas presenciais e questionários estruturados.

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