Representantes do mercado de apostas publicam nota manifestando surpresa com críticas do ministro Fernando Haddad

Representantes do mercado de apostas publicam nota manifestando surpresa com críticas do ministro Fernando Haddad

Segundo o setor, todos os problemas apontados por Haddad estão relacionados às plataformas ilegais.

A entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao site ICL Notícias causou repercussão no mercado brasileiro de apostas esportivas e jogos de cassino online. O ministro afirmou que seria favorável a uma possível proibição dos jogos online e que a arrecadação gerada pelo setor não compensaria a sua continuidade.

Representantes da indústria de jogos lamentaram a entrevista, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que publicou uma nota manifestando surpresa e consternação com as declarações de Haddad. Segundo a ANJL, o ministro teria usado termos considerados difamatórios, como chamar a indústria de jogos no Brasil de “desgraça”.

Segundo a nota da Associação, todos os problemas apontados por Haddad estão relacionados às plataformas ilegais, já que as empresas regularizadas seguem todas as diretrizes da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) que é ligada justamente ao Ministério da Fazenda. O mercado clandestino, de acordo com a ANJL, segue funcionando “pela incapacidade técnica do poder público de bloqueá-las”.

“Sobre o entendimento manifestado pelo ministro Fernando Haddad de que a ludopatia deve ser tratada como um caso de saúde pública, a associação concorda e já se manifestou nesse sentido diversas vezes. É necessário frisar, contudo, que, hoje, o imposto pago pelas casas de apostas legalizadas já prevê destinação de parte desses recursos para a Saúde”, diz a nota.

Veja também: “Presente para o mercado ilegal”: presidente do IBJR fala sobre tributação do setor de apostas

“Também é fundamental esclarecer que os casos de vício são raros no universo do mercado regulado. O problema central da dependência em jogos está na plena atividade dos sites ilegais, que não adotam nenhum mecanismo para proteger os apostadores e não arrecadam nenhum imposto para o país”, complementa o texto.

Os representantes do setor de jogos reiteraram que a proibição de publicidade do setor, como está em tramitação no Congresso Nacional, poderia ser prejudicial, tomando-se como referencial outros países em que o impedimento foi implantado e o mercado ilegal cresceu.

“Sem propaganda feita de forma responsável e esclarecedora, os apostadores não saberão distinguir as bets legais das ilegais e ficarão ainda mais à mercê da ação de influenciadores e todo tipo de golpe”, explica a entidade.

“A associação reafirma o compromisso da indústria de apostas na construção de um ambiente seguro e regulado, em que os jogos sejam encarados por toda a população apenas como mais uma forma de entretenimento e não de investimento ou fonte de renda. A ANJL acredita que a escolha do Brasil será não retroceder em relação a nenhum dos avanços que tivemos até agora e focar no que realmente importa: o combate ao mercado ilegal”, finaliza a nota.

ANJL estima que o Brasil pode perder quase R$ 3 bi em arrecadação com tributação das bets

O setor de apostas esportivas e jogos de cassino online do Brasil está preparando um relatório para ser entregue ao ministro da Fazenda Fernando Haddad. Segundo o que publicou a Folha de S. Paulo, os representantes das bets legalizadas estimam que o país pode perder mais de R$ 2,8 bilhões (USD 503 mi) em arrecadação caso se confirme a elevação da tributação do setor de 12% para 18%.

Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), uma das entidades que representam as operadoras de apostas no Brasil, calcula que, só de taxas de outorga, o governo federal deixará de arrecadar R$ 2,4 bilhões (USD 431 mi), já que muitas operadoras desistiriam de entrar no mercado brasileiro.

A Associação estima ainda que as empresas desistentes deixariam de realizar depósitos em títulos públicos federais, como exige a legislação, e que isso acarretaria um prejuízo de cerca de R$ 400 milhões (USD 72 mi).

“Chega um ponto em que o ilegal começa a ter vantagens competitivas. Neste momento, não podemos fazer esse movimento de aumentar o imposto, porque vamos começar a perder mercado. Empresas que estão vindo para o Brasil vão desistir. Empresas que já estão reguladas podem também parar a operação”, disse o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, à Folha.

Lemos Jorge, em conjunto com o presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Fernando Vieiraformalizaram um acordo de cooperação técnica entre as entidades que representam o setor de igaming no Brasil junto à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.

Os líderes dessas entidades entregaram o documento ao secretário da SPA, Regis Dudena. Juntas, as instituições representam mais de 80% da indústria de jogos de azar no Brasil.

O IBJR e a ANJL pretendem intensificar as ações para fortalecer o mercado regulado de igaming no país. As entidades planejam promover ações conjuntas para combater o mercado ilegal de apostas no país.

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