Ministro da Fazenda volta a defender aumento dos impostos para as bets

Fernando Haddad, ministro da Fazenda.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda.

Na visão do ministro Fernando Haddad, setor deveria receber tratamento semelhante ao que recebem companhias de cigarro e de bebidas alcoólicas.

O ministro da Fazenda Fernando Haddad voltou a criticar o setor de apostas esportivas no Brasil durante entrevista concedida ao Metrópoles nesta semana. Para o ministro, as operadoras devem pagar ainda mais impostos, tendo um tratamento semelhante ao que recebem companhias de cigarro e de bebidas alcoólicas.

Para Haddad, a tributação das empresas de igaming é justificada porque elas estariam contribuindo pouco para o país. “Os caras estão ganhando uma fortuna no Brasil, gerando muito pouco emprego, mandando para fora o dinheiro arrecadado aqui, e que vantagem a gente leva?”, questiona.

No início do mês de junho, o governo federal, através de medida provisória (MP) aumentou a alíquota sobre a Receita Bruta de Jogos (GGR) de 12% para 18%. A medida integra um pacote fiscal destinado a compensar a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), alvo de críticas no Congresso e no setor produtivo. a MP, passa a ser de 18%. A MP tem efeito imediato, mas precisa receber aval do Poder Legislativo para seguir em vigor.

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Segundo o titular da Fazenda, a política fiscal do governo tem o intuito de elevar as receitas ao mesmo tempo que combate privilégios. Para Haddad, voltar a proibir a atividade das apostas seria um erro, o ideal, em sua visão, apertar o cerco ao setor. “É uma coisa difícil de administrar, e há vários casos na história de que, quando proíbe, piora. Agora, tem que enquadrar esse setor de uma vez por todas”, declarou.

Não é a primeira vez que Haddad critica as empresas de apostas. No mês passado, o ministro declarou que o Congresso Nacional deveria repensar a regulamentação das apostas no Brasil. 

Tributação das bets: país pode perder bilhões de reais em receita, segundo ANJL

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) enviou um documento a lideranças do Congresso Nacional com críticas sobre o aumento da tributação sobre as empresas de apostas esportivas e jogos online. A entidade afirma que a proposta apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode gerar perdas bilionárias em arrecadação para o país e ainda beneficiar plataformas de jogos ilegais.

A nota técnica produzida pela ANJL afirma que a mudança na taxação das bets terá efeitos negativos, principalmente entre as empresas em processo de regularização junto à Secretaria de Prêmios e Apostas, com muitas delas desistindo de atuar no país e, consequentemente, gerando perdas em arrecadação que podem chegar a R$ 2,8 bilhões (USD 504 mi).

Outro argumento do documento enviado aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é o de que a medida da Fazenda não vai ajudar significativamente o país a arrecadar mais.

“Provavelmente não deve produzir efeitos significativos em 2025. Estimativas preliminares indicam que o impacto mensal da elevação de alíquota seria da ordem de R$ 170 milhões [USD 30,6 mi], com impacto máximo em 2025 de R$ 680 milhões (USD 122,3 mi)”, explica a ANJL.

“Mesmo que a base projetada parta de um GGR compatível com os dados reais do setor, não é possível assegurar que a arrecadação evoluirá de forma proporcional à elevação da alíquota, uma vez que a reação dos agentes econômicos pode neutralizar — ou até reverter — o ganho fiscal estimado”, complementa a entidade.

A alternativa apresentada pela associação para substituir o aumento da tributação das bets é enfrentar as plataformas na informalidade. Segundo a ANJL, caso essas empresas se regularizem, o acréscimo na arrecadação poderia ser de até R$ 8 bilhões (USD 1.4 bi).

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Apostas esportivas Brasil Indústria de jogos Regulamentação do jogo