Estudo aponta avanço do mercado ilegal em 11 países que restringiram apostas online

Estudo aponta avanço do mercado ilegal em 11 países que restringiram apostas online

Levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo identifica migração para plataformas clandestinas e estrangeiras e reacende debate sobre os efeitos da proibição das bets no Brasil.

Resumo

  • Levantamento do Ranking dos Políticos analisou experiências de 11 países que adotaram restrições às apostas online.
  • Segundo o estudo, as medidas não eliminaram a atividade e foram acompanhadas pela utilização de plataformas clandestinas e estrangeiras.
  • Na China, aproximadamente US$ 307 bilhões (R$ 1,66 trilhão) teriam sido enviados ilegalmente ao exterior para atividades relacionadas a apostas em um ano.
  • Na Indonésia, cerca de 12 milhões de pessoas realizaram depósitos em plataformas ilegais no último ano, enquanto na Índia aproximadamente um terço dos usuários teria recorrido a serviços estrangeiros.
  • No Brasil, monitoramento divulgado pela Folha identificou estabilidade na circulação de links de apostas clandestinas nos primeiros dez dias após a proibição.

Um levantamento do Ranking dos Políticos aponta que restrições às apostas online adotadas em 11 países não eliminaram a atividade e foram acompanhadas pela migração de usuários para plataformas clandestinas e estrangeiras. Divulgado pela Folha de S.Paulo no domingo (1º), o estudo também identifica perdas de arrecadação e transferência de recursos para o exterior entre os efeitos observados nos mercados analisados. Os resultados surgem em meio ao debate sobre a proibição das bets no Brasil, estabelecida pela Medida Provisória 1.394/2026.

Entre os países considerados no levantamento estão China, Estados Unidos, Índia, Suíça e Noruega. Segundo o estudo, as restrições reduziram a oferta legal de apostas, mas não impediram a continuidade da atividade em plataformas que operam fora dos mercados autorizados.

Na China, onde existem fortes restrições aos jogos de azar, aproximadamente US$ 307 bilhões (R$ 1,66 trilhão) teriam sido enviados ilegalmente ao exterior para atividades relacionadas a apostas em um ano.

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Na Indonésia, cerca de 12 milhões de pessoas realizaram depósitos em plataformas ilegais no último ano, apesar da redução das apostas online registrada no país.

Já na Índia, após a proibição de jogos online envolvendo dinheiro em 2025, aproximadamente um terço dos usuários passou a recorrer a plataformas estrangeiras, de acordo com os dados apresentados pelo levantamento.

Segundo o Ranking dos Políticos, as experiências internacionais mostram que a redução da oferta legal de apostas não significa necessariamente o encerramento da atividade, uma vez que parte dos jogadores pode continuar utilizando serviços disponíveis fora dos sistemas nacionais de regulamentação.

Levantamento é divulgado após proibição das bets no Brasil

O estudo foi divulgado pouco mais de um mês após a publicação da Medida Provisória 1.394/2026, editada pelo governo federal em 25 de setembro, que proibiu as apostas online no Brasil e estabeleceu um prazo de 30 dias para o encerramento das operações autorizadas. A decisão provocou questionamentos judiciais de representantes do setor, que argumentam que a proibição pode favorecer a atuação de plataformas clandestinas e dificultar a fiscalização das apostas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também analisa questionamentos sobre a constitucionalidade da medida. O ministro Luiz Fux marcou uma audiência pública para 3 de novembro, com o objetivo de discutir os impactos da proibição e ouvir representantes de diferentes setores envolvidos no debate.

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Apesar das conclusões do levantamento, os resultados internacionais não permitem determinar, isoladamente, os efeitos da proibição no Brasil. Os países analisados possuem diferentes modelos regulatórios, condições econômicas e mecanismos de fiscalização, fatores que precisam ser considerados na comparação.

No Brasil, um monitoramento divulgado pela Folha de S.Paulo em outubro identificou 1.845 links de apostas clandestinas em circulação no WhatsApp e no Telegram entre 26 de setembro e 6 de outubro, número próximo da média de setembro, de 1.870 links. Os dados indicaram estabilidade na circulação desses endereços nos primeiros dez dias após a proibição, sem evidência de aumento imediato no período analisado.

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Perguntas frequentes (FAQ)

  • O que aponta o estudo do Ranking dos Políticos sobre a proibição das apostas? O levantamento analisa experiências de 11 países e indica que restrições às apostas online não necessariamente encerram a atividade. Entre os efeitos identificados estão a migração de usuários para plataformas clandestinas e estrangeiras e perdas de arrecadação.
  • Quais países foram citados no levantamento? Entre os países considerados estão China, Estados Unidos, Índia, Suíça e Noruega. O estudo também apresenta dados sobre Indonésia.
  • Qual foi o impacto das restrições às apostas na China? Segundo os dados apresentados pelo levantamento, aproximadamente US$ 307 bilhões teriam sido enviados ilegalmente ao exterior em um ano para atividades relacionadas a apostas.
  • O que aconteceu na Índia após a proibição de jogos online com dinheiro? De acordo com o estudo, cerca de um terço dos usuários passou a recorrer a plataformas estrangeiras após a proibição adotada em 2025.
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