ANJL contesta dados do Comsefaz sobre movimentações via Pix atribuídas às bets

ANJL contesta dados do Comsefaz sobre movimentações via Pix atribuídas às bets

Entidade afirma que levantamento inclui outros segmentos de entretenimento e diz que receita bruta do mercado regulado foi de R$ 37 bilhões em 2025.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou os dados divulgados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) sobre o volume de transações via Pix atribuído ao mercado de apostas on-line no Brasil.

Em nota, a entidade repudiou o levantamento e afirmou que os números apresentados pelo comitê não representam a realidade do setor regulado de apostas. Entre os pontos questionados estão o período considerado na análise, a abrangência das transações e a ausência de fatores relacionados ao crescimento do Pix como meio de pagamento no país.

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A ANJL rebateu, especificamente, a informação de que as famílias brasileiras teriam perdido R$ 62,5 bilhões (US$ 12,2 bilhões) para as bets em 2025. Segundo a associação, dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) apontam que a receita bruta de jogos (GGR) do setor no ano passado foi de R$ 37 bilhões (US$ 7,2 bilhões).

“Não procede a informação de que ‘famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões’ para as bets em 2025”, afirmou a entidade.

A associação também argumenta que as transações utilizadas no estudo não correspondem exclusivamente ao mercado de apostas. De acordo com a ANJL, os dados abrangem transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas classificadas em quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação.

Nesse conjunto, segundo a entidade, está incluída uma ampla variedade de prestadores de serviços ligados ao entretenimento, e não somente empresas de apostas.

Outro ponto levantado pela ANJL é o crescimento da utilização do Pix no Brasil. Para a associação, mudanças na dinâmica de consumo e o aumento da bancarização contribuíram para ampliar o uso do meio de pagamento em diferentes setores da economia, aspecto que também deveria ser considerado na análise dos números.

Mercado ilegal

A ANJL ainda chamou atenção para a presença de operadores ilegais durante o período analisado. Conforme dados da SPA-MF citados pela associação, entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas.

Para a entidade, analisar o volume financeiro de forma agregada, reunindo diferentes segmentos econômicos e movimentações potencialmente relacionadas a empresas ilegais, pode gerar uma interpretação distorcida sobre o tamanho e o comportamento do mercado regulado.

“Os dados mostram que avaliar meramente um enorme montante financeiro, que abrange não só vários setores, mas também contas ligadas a empresas ilegais, causa uma miopia sobre o mercado legalizado”, declarou a ANJL.

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Ao final da nota, a associação voltou a criticar a divulgação de informações que, em sua avaliação, não representam adequadamente a indústria de apostas reguladas no Brasil.

“A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a divulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e divulgado apenas pelo poder regulador”, concluiu.

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