Presidente Lula defende aumento de imposto para casas de apostas: “Ganham bilhões e bilhões”
Presidente critica baixa tributação do setor de apostas online e defende justiça fiscal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o aumento da carga tributária sobre setores altamente lucrativos, com destaque para as apostas online, conhecidas como “bets”. Em entrevista ao podcast Mano a Mano, apresentado por Mano Brown e divulgada nesta quinta-feira (19), Lula reiterou seu apoio à proposta do Ministério da Fazenda de elevar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
“O IOF do [Fernando] Haddad] não tem nada demais”, disse o presidente, referindo-se ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Para Lula, a medida é necessária para corrigir distorções no sistema tributário e garantir recursos para áreas essenciais, como saúde e educação.
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O chefe do Executivo foi direto ao abordar o setor de apostas online: “As bets pagam 12%, nós queremos que paguem 18%. Eles ganham bilhões e bilhões. Não querem pagar. As fintechs, hoje, são quase que uns bancos, não querem pagar. Então essa briga nós temos que fazer, gente, não dá para a gente ceder toda hora”.
Segundo Lula, a arrecadação extra é fundamental para evitar cortes no orçamento. “Toda vez que a gente vai ultrapassar o arcabouço fiscal, a gente tem que cortar do orçamento. Então, se eu tiver que cortar 40 bilhões do orçamento de obras de rua para a saúde, para a educação, eu tenho que ter uma compensação. O IOF é um pouco para fazer essa compensação”, explicou.
A proposta original, apresentada pela Fazenda em 22 de maio, gerou forte reação no Congresso. Após críticas, o governo recuou parcialmente ao publicar, em 11 de junho, uma medida provisória com ajustes e um novo decreto que reduz as alíquotas inicialmente previstas.
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Mesmo com as mudanças, o Legislativo mantém resistência. No dia 16, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para votação de um projeto que pretende derrubar o novo decreto. O conteúdo da proposta ainda será analisado.
Apesar das pressões, Lula afirmou que o governo deve manter sua posição em defesa do equilíbrio fiscal. “Não dá para ceder toda hora”, afirmou, reforçando o compromisso com a justiça social e a distribuição equitativa de encargos tributários.
Tributação das bets: país pode perder bilhões de reais em receita, segundo ANJL
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) enviou um documento a lideranças do Congresso Nacional com críticas sobre o aumento da tributação sobre as empresas de apostas esportivas e jogos online. A entidade afirma que a proposta apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode gerar perdas bilionárias em arrecadação para o país e ainda beneficiar plataformas de jogos ilegais.
A proposta do Ministério da Fazenda é aumentar a alíquota sobre a Receita Bruta de Jogos (RBG) de 12% para 18%. A medida integra um pacote fiscal destinado a compensar a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), alvo de críticas no Congresso e no setor produtivo.
A nota técnica produzida pela ANJL afirma que a mudança na taxação das bets terá efeitos negativos, principalmente entre as empresas em processo de regularização junto à Secretaria de Prêmios e Apostas, com muitas delas desistindo de atuar no país e, consequentemente, gerando perdas em arrecadação que podem chegar a R$ 2,8 bilhões (USD 504 mi).
Outro argumento do documento enviado aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é o de que a medida da Fazenda não vai ajudar significativamente o país a arrecadar mais.
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“Provavelmente não deve produzir efeitos significativos em 2025. Estimativas preliminares indicam que o impacto mensal da elevação de alíquota seria da ordem de R$ 170 milhões [USD 30,6 mi], com impacto máximo em 2025 de R$ 680 milhões (USD 122,3 mi)”, explica a ANJL.
“Mesmo que a base projetada parta de um GGR compatível com os dados reais do setor, não é possível assegurar que a arrecadação evoluirá de forma proporcional à elevação da alíquota, uma vez que a reação dos agentes econômicos pode neutralizar — ou até reverter — o ganho fiscal estimado”, complementa a entidade.
A alternativa apresentada pela associação para substituir o aumento da tributação das bets é enfrentar as plataformas na informalidade. Segundo a ANJL, caso essas empresas se regularizem, o acréscimo na arrecadação poderia ser de até R$ 8 bilhões (USD 1.4 bi).
Por fim, a entidade demonstra preocupação com problemas judiciais que podem ocorrer por conta de alterações na legislação vigente. “Mudar as condições de regulamentação que já tinham sido estabelecidas permite a contestação judicial, uma vez que o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos não se equaciona da forma como foram assinados”, diz a ANJL na nota técnica.
Outras entidades que representam o setor de jogos, como ABRAJOGO, ABFS, AIGAMING, IBJR e IJL, manifestaram-se contra a taxação elevada das empresas de apostas através de uma nota conjunta publicada na semana passada. Os grupos argumentam que o setor já enfrenta uma das maiores tributações do mundo e que um aumento compromete sua viabilidade econômica.