Plataformas de apostas ilegais faturam mais de R$ 1 bilhão por mês, segundo IBJR
Os sites ilegais correspondem a aproximadamente 60% do mercado de apostas no país.
As plataformas ilegais de jogos online têm receita de mais de R$ 1 bilhão (USD 175.3 mi) por mês no Brasil, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), uma das instituições que representa o setor de apostas esportivas e cassino online no país. De acordo com o Instituto, a operadoras que não têm licença para operar em território nacional correspondem a aproximadamente 60% do mercado.
O fundador e diretor do IBJR, André Gelfi, concedeu entrevista ao Poder360 onde comentou sobre os desafios para combate o mercado ilegal de apostas. “O nosso principal desafio de saída é justamente a formalização desse nosso mercado de apostas. Há atividade econômica não monitorada, não tributada, acontecendo nesse mercado, e isso dificulta bastante o desenvolvimento de um mercado sustentável“, disse.
“Apesar de estar vendo uma informalidade em níveis absolutamente insustentáveis, a gente entende que a regulamentação, como arcabouço, é moderna e viabiliza o mercado competitivo”, complementou Gelfi. Segundo ele, a indústria de apostas fatura ao todo R$ 25 bilhões (USD 4,4 bi) por ano.
Para combater o mercado ilegal, o diretor do IBJR falou sobre a tentativa de bloqueio de sites irregulares feita pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Até fevereiro deste, o governo federal já solicitou que sejam retirados do ar 11.555 domínios que não possuem a licença de operação no Brasil.
“Não é suficiente por si só, mas é uma medida que, sim, tem seu valor”, disse Gelfi ao Poder360. Para André, uma possibilidade de reduzir a informalidade serie intensificar o monitoramento de transações financeiras. “O coração da nossa atividade é o Pix. Se as entidades financeiras têm um monitoramento eficaz de quem está fazendo o Pix, através de que CNPJ, a gente tem como sufocar essa informalidade“, afirmou.
Outro setor de jogos de azar que o IBJR defende a regulamentação é o de cassinos físicos. “O IBJR é absolutamente favorável à regulamentação e ao regramento que insira de forma sustentável uma atividade econômica dentro da sociedade brasileira. A proibição raramente funciona“, explicou Gelfi.
Já em relação ao jogo do bicho, o IBJR não tem uma opinião oficial. “O instituto não tem uma posição formal com relação ao jogo do bicho. Agora, o André, consistentemente com o que disse anteriormente, entende que se existe uma atividade que tem o interesse da sociedade por ela, que pode ser trabalhada de uma forma que cumpra com os interesses do coletivo, ela deve ser regulamentada. Se é uma atividade que liquidamente só traz danos, acho que é um caso para a gente olhar com mais cuidado. Não me parece que seja o caso do jogo do bicho”, afirmou André Gelfi.
A liberação desses jogos de azar depende da aprovação do Projeto de Lei 2234/22, que tem o objetivo de legalizar cassinos em resorts, bingos, jogo do bicho, apostas em corridas de cavalo e outros jogos. A proposta está aguardando votação no Plenário do Senado Federal.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável foi criado em 2023 e representa aproximadamente 75% do setor de apostas no país. Entre as empresas que fazem parte do IBJR estão a Bet365, Betsson Group, Entain, Flutter, Kaizen Gaming, KTO Group, BetMGM, Novibet e Skill OnNet.
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