MP que proibiu bets afasta investidores do Brasil e ameaça empregos, diz ABRAJOGO
De acordo com Ana Bárbara Costa Teixeira, a iniciativa “mandou um sinal muito ruim para toda a sociedade”.
Resumo
- A vice-presidente da ABRAJOGO, Ana Bárbara Costa Teixeira, afirmou que a MP nº 1.394/2026 foi precipitada e trouxe mais impactos negativos do que positivos ao setor de apostas.
- Segundo ela, a medida abalou a confiança de investidores e enviou um sinal ruim à sociedade, destruindo uma regulamentação que era elogiada internacionalmente.
- A proibição fez empresários estrangeiros reconsiderarem investimentos no Brasil, afetando uma indústria que gerava empregos muito além dos operadores de apostas.
- As bets beneficiavam também polos de tecnologia e startups, que perderam empregos qualificados em apenas dez dias.
- Com a suspensão do mercado regulado, o governo enfrenta dificuldades no combate ao mercado ilegal, já tendo identificado 16.627 sites clandestinos de apostas desde a edição da MP.
- A ABRAJOGO acredita na reversão da medida pelas instituições democráticas, enquanto o STF e o Congresso Nacional devem avaliar sua continuidade nas próximas semanas.
As consequências econômicas da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu o mercado regulado de apostas de quota fixa, foi abordada pela vice-presidente da Associação Brasileira de Apostas e Jogos (ABRAJOGO), Ana Bárbara Costa Teixeira, durante a entrevista que concedeu à BandNews na quinta-feira (8).
De acordo com Teixeira, a MP foi feita de forma precipitada e que teve mais impactos negativos do que positivos. Na visão dela, a maneira como foi emitida abalou a confiança de investidores. “Essa medida provisória não só piorou, como mandou um sinal muito ruim para toda a sociedade. É com muita tristeza que a gente vê toda uma regulamentação, que estava sendo elogiada fora do país, uma das melhores do mundo, ter sido literalmente rasgada como se nada tivesse sido feito”, declarou.
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A representante da Associação afirma que a medida provisória fez com que empresários estrangeiros repensassem investir no país. “Muitos estão reconsiderando continuar a investir no Brasil, é uma situação muito triste, que era uma indústria que gerava empregos muito além dos próprios operadores”, afirmou. “Eu não tenho palavras para te dizer o quanto essa medida foi danosa, não só para a nossa indústria, para a confiança de quem está empreendendo e para a confiança especialmente do investidor estrangeiro”, acrescentou.
Na visão da executiva, as bets beneficiam uma indústria maior do que apenas o próprio setor de igaming. “Aqui no Brasil nós temos polos de tecnologia de startups maravilhosos, em Santa Catarina, na Paraíba, em Pernambuco, polos que tinham operadores, empresas pequenas que começaram, estavam crescendo, gerando emprego com salários qualificados e tudo isso se perdeu em dez dias”, disse.
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Um outro ponto apontado pela vice-presidente da ABRAJOGO é o de que o combate ao mercado ilegal de apostas contava com contribuições do setor regulado, mas com a suspensão da indústria legalizada, o governo está tendo dificuldade de enfrenta as bets clandestinas. Como informou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), desde que a MP foi emitida foram identificados 16.627 sites ilegais de apostas.
Segundo a representante da Associação, o setor estava em um processo de aprimoramento e de ajustes regulatórios, mas a proibição interrompeu abruptamente os avanços da indústria de jogos. “Uma coisa que a gente tem falado muito como indústria é que proibir não é regular. Toda regulamentação, cabem melhorias, cabem aperfeiçoamentos. Muita coisa estava em andamento, estava sendo construída, que infelizmente foi parada”, declarou.
“A gente vai ter um nível de desemprego muito maior, que não vai se restringir apenas a nossa indústria, esses números foram informados, referem-se apenas aos empregos diretos, o reflexo na cadeia indireta é muito maior”, alertou Teixeira.
Entre as melhorias que o setor buscava, segundo a ABRAJOGO, estava o diálogo com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) para aprimorar a publicidade das bets, principalmente em relação à atuação de influenciadores digitais e afiliados.
Por fim, a vice-presidente da Associação demonstrou confiança na reversão da MP nº 1.394/2026. “A gente realmente acredita nas instituições democráticas do país”, referindo-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional, que devem avaliar a continuidade da medida nas próximas semanas.
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News