Guilherme Figueiredo, Betano: “O mais interessante da publicidade é ajudar o público a diferenciar uma plataforma legal de uma ilegal”
Diretor de Relações Institucionais da Betano no Brasil fala sobre estratégias de marketing, apoio a iniciativas sociais e promoção do jogo responsável.
Entrevista exclusiva.- Em um momento em que se intensificam as discussões sobre a publicidade do setor de apostas de quota fixa e a promoção do jogo responsável, Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais da Betano no Brasil, concedeu uma entrevista exclusiva ao Focus Gaming News Brasil.
O executivo comentou sobre as estratégias de posicionamento de marketing por meio de patrocínios a eventos esportivos e culturais, apoio a iniciativas sociais, ações de promoção do jogo consciente, a regulamentação do mercado no país e a importância da publicidade para a conscientização do público.
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Qual a importância dos patrocínios para a divulgação da marca e a aquisição de clientes?
Existem dois tipos de eventos patrocinados pela Betano. Os eventos esportivos, que têm um foco muito maior em aquisição de clientes, e os eventos culturais que são um trabalho muito mais de posicionamento da marca.
Historicamente, a gente não fazia eventos culturais. O primeiro foi o Réveillon de Copacabana, na virada de 2024 para 2025. Aquele era um momento especial, ia marcar a virada da regulamentação do mercado. Conseguimos fazer acordos para patrocinar a transmissão da virada na Globo e o Réveillon de Copacabana. A nossa primeira ativação foi logo após o fim dos fogos na praia. Foi a primeira vez que a gente fez algo que não era relacionado a esporte.
Em 2026, algumas das nossas principais iniciativas envolvem esporte e música. Como a Betano patrocinou a Copa do Mundo para Europa e América do Sul, nós tivemos três fan zones da Copa, um no estádio do Pacaembu [em São Paulo], outro em Copacabana [no Rio de Janeiro] e também em Porto Alegre (RS). Além disso, a empresa patrocinou o São João de Campina Grande (PB) e o Festival Na Praia, em Brasília. Estes dois últimos com ativações inspiradas também no Mundial.
O foco desses eventos culturais não é apenas a aquisição de clientes. Em Campina Grande, por exemplo, nosso foco foi a divulgação do jogo responsável. Nós fizemos um trabalho de educação para outros públicos além dos fãs de esportes. A divulgação do jogo responsável é um dos nossos focos atualmente.
Como a empresa escolhe os eventos que vai apoiar ou clubes que vai patrocinar?
A Betano é a casa de apostas líder em todos os seguimentos no Brasil. O evento que a gente apoia passa um recado também. Fechamos o acordo com o Flamengo porque é o clube de maior torcida do país. O Big Brother Brasil é o maior reality show do país. O São João de Campina é a maior festa junina do mundo. O Festival Na Praia é a mesma coisa. Esses posicionamentos não deixam dúvida de que se a gente for entrar será no maior do seguimento.
Vocês buscam diversificar os apoios para além do futebol?
O futebol é, de longe, o esporte com maior investimento justamente por ser a modalidade mais popular no país. Mas não fica apenas no masculino, nós também temos iniciativas para o futebol feminino. Temos, por exemplo, uma parceria com o Instituto Brasileiro de Futebol Feminino (IBFF). A ideia é, por meio da IBFF Academy, formar staff feminino para trabalhar no futebol feminino.
Também temos ações relacionadas à Lei de Incentivo ao Esporte. Um exemplo é o programa Afroesporte, que a gente apoia. O programa seleciona dez atletas negros de outras modalidades esportivas, eles recebem uma bolsa em dinheiro, além de aulas de educação financeira e educação de comunicação. Na área de responsabilidade social, nós apoiamos a Carreta da Mamografia, que começou no Outubro Rosa e foi tanto sucesso, que decidimos fazer durante o ano inteiro, não apenas no mês de outubro.
Quais são as ferramentas que a empresa usa para evitar que pessoas que não devem apostar tenham acesso à plataforma?
Antes de falar sobre as ferramentas, é interessante ressaltar o que é determinado pela regulamentação do mercado. Um ponto muito importante da regulamentação no país é a obrigatoriedade do reconhecimento facial. A partir do ponto que se tem essa ferramenta, é possível ter certeza que aquele usuário está, de fato, atrelado ao CPF indicado no cadastro. Isso impede que menores de idade acessem a plataforma. Com isso, podemos também fazer o monitoramento para saber se a pessoa está tendo o comportamento que ela costuma ter na plataforma ou se ela foi hackeada, por exemplo. Se ela teve uma mudança de tempo na plataforma e outros indícios de algo está errado.
Além disso, nós temos ferramentas para o usuário estipular limites de gastos de dinheiro e de tempo, limites de depósitos e até de número de apostas. Uma funcionalidade que temos, por exemplo, é quando o usuário chega a 80% do limite que foi estipulado, ele é avisado. Da mesma forma, quando chega a 100%, o uso da plataforma é barrado automaticamente e o usuário só poderá reajustar os limites após 24 horas.
Qual a visão de vocês sobre as propostas de proibição de publicidade de apostas que estão sendo discutidas pelo Poder Legislativo?
O mais interessante da publicidade é ajudar o público a diferenciar uma plataforma legal de uma ilegal, até porque a plataforma irregular não pode ser veiculada na mídia. Como o mercado regulado ainda é relativamente recente, só tem um ano e meio, ainda estão sendo feitos ajustes na publicidade.
No caso das odds ao vivo nas transmissões da Copa, por exemplo, a sociedade entendeu que não era o ideal. Se a população considerou que a forma como estava sendo feita não estava bom, então nós vamos ajustar isso. Anteriormente, a gente oferecia esse tipo de conteúdo publicitário para um público que já estava familiarizado, só que durante a Copa a audiência é muito maior, furou a bolha, e isso causou uma certa estranheza. Se causou estranheza, é a hora de ajustar isso. Na nossa avaliação, a proibição total da propaganda seria ruim porque o mercado é pouco maduro para não ter publicidade. Por isso que é importante ter a publicidade, mas fazendo os ajustes que forem necessários nas mensagens.