Proibição do mercado regulado de apostas não foi consenso dentro do governo

Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

Uma ala do PT tentou fazer Lula mudar de ideia sobre medida provisória, afirmam fontes no Palácio do Planalto.

Brasília.- A decisão de proibir o mercado regulado de apostas de quota fixa por meio de uma medida provisória (MP) não foi consenso no governo federal, de acordo com a apuração da analista de Política Larissa Rodrigues para o CNN 360º. O veto às bets foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado na sexta-feira (26).

Segundo a CNN Brasil, uma ala do Partido dos Trabalhadores (PT) tentou fazer Lula mudar de ideia sobre um veto total e imediato. O presidente do partido, Edinho Silva, por exemplo, defendia um período de transição antes da proibição completa do setor.

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Antes da decisão sobre o texto final da MP, houve muita discussão entre líderes do governo e o marketing da campanha de reeleição do presidente, que foi o que mais pesou no final. O Ministério da Fazenda, por outro lado, observa de perto as consequências da medida para a arrecadação do país. Só em 2026, o setor de apostas já rendeu um recolhimento de tributações que somam mais de R$ 9,91 bilhões (US$ 1,9 bilhão).

Com a publicação da MP, as empresas de apostas online não podem mais aceitar depósitos. Os apostadores têm até 5 de outubro para sacar o que lhes resta. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas licenciados serão bloqueados. Entre 7 e 8 de outubro, as operadoras devem acertar as contas dos clientes. Depois, entre 9 e 14 de outubro, elas devem devolver o dinheiro.

Caso o apostador não solicite o saque dentro do prazo, a operadora continuará obrigada a restituir o dinheiro por meio de suas instituições financeiras parceiras. A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal vai auxiliar no processamento dos pagamentos se operadoras ou instituições financeiras enfrentarem dificuldades.

Além da MP, o governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para criminalizar quem explorar, operar ou divulgar apostas esportivas. Pela proposta, os infratores poderão ser condenados a penas de quatro a seis anos de prisão, além de multa. Para instituições envolvidas no processamento de pagamentos de apostas, a pena prevista é de dois a quatro anos. Para continuar em vigor de forma definitiva, a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

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Brasil Indústria de jogos Proibição das bets