Ministério da Fazenda afirma ter bloqueado mais de 60 mil sites de bets ilegais no Brasil

Comissão Externa da Câmara  (Foto: Kayo Magalhães - Câmara dos Deputados)
Comissão Externa da Câmara (Foto: Kayo Magalhães - Câmara dos Deputados)

Dados foram apresentados durante audiência da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre Atos de Pirataria.

Brasília.- A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) informou que mais de 60 mil sites de apostas ilegais já foram bloqueados no Brasil. O dado foi apresentado na terça-feira (11), durante audiência da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre Atos de Pirataria.

De acordo com a Agência Câmara, o subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da SPA-MF, Carlos Renato Resende, explicou que o processo de combate às plataformas irregulares começou de forma manual em janeiro de 2025. Desde outubro, a identificação e o bloqueio dos sites passaram a ser automatizados.

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Apesar do avanço, Resende destacou que o enfrentamento ao mercado clandestino continua sendo um desafio. Segundo ele, nenhum país conseguiu eliminar completamente operações ilegais, situação que também ocorre em outros setores afetados pela pirataria.

A Secretaria de Prêmios e Apostas também trabalha em novas medidas para atingir o fluxo financeiro das empresas que operam sem autorização. Uma das iniciativas prevê o bloqueio de recursos de operadores ilegais e a possibilidade de ressarcimento de consumidores vítimas de fraudes.

Pela medida apresentada na audiência, o apostador prejudicado poderá comprovar que determinado valor bloqueado pertence a ele e solicitar a devolução. Caso a empresa não consiga demonstrar a origem legal dos recursos restantes, o dinheiro poderá ser destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

O Ministério da Fazenda também mantém discussões com o Sistema Financeiro Nacional para ampliar os mecanismos de controle sobre movimentações financeiras relacionadas a plataformas não autorizadas.

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TCU cobra atuação conjunta

Parte das ações segue recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU). Durante a audiência, o secretário de Controle Externo de Governança do órgão, Wesley Vaz, defendeu maior integração entre Ministério da Fazenda, Banco Central, Receita Federal, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Polícia Federal.

A avaliação é de que o combate ao mercado clandestino precisa atuar em diferentes frentes, incluindo bloqueio de domínios, interrupção dos fluxos financeiros e aplicação de sanções aos operadores.

Mercado ilegal apresenta redução

A audiência também apresentou dados sobre a participação das bets ilegais no mercado brasileiro. Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que essas plataformas representam entre 38% e 41% do setor. No levantamento anterior, a estimativa variava entre 41% e 51%.

Segundo Eric Brasil, diretor da LCA Consultoria, os números representam uma redução estimada de 11% do mercado ilegal. Apesar da queda, ele destacou que a participação das plataformas clandestinas no Brasil continua elevada quando comparada à de outros países.

O coordenador da comissão, deputado Julio Lopes (PP-RJ), afirmou que, embora a redução ainda seja pequena, o resultado representa um avanço no enfrentamento à irregularidade, pirataria e sonegação.

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