Saiba como foi o depoimento do empresário que superou o vício em jogos na CPI das Bets

Senadores Soraya Thronicke e Izalci Lucas e o empresário André Rolim na CPI das Bets. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
Senadores Soraya Thronicke e Izalci Lucas e o empresário André Rolim na CPI das Bets. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

André Rolim defendeu a proibição do patrocínio de eventos por sites de apostas.

Brasília.- A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets ouviu, nesta terça-feira (25), o depoimento do empresário André Rolim que enfrentou o vício em apostas. Rolim defendeu aumentar as restrições de publicidade de apostas esportivas e cassino online, incluindo proibir que empresas do setor patrocinem eventos e celebridades.

A comissão tem o objetivo de investigar o impacto das apostas online na saúde financeira das famílias. De acordo com a Agência Senado, a relatora do colegiado, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), afirmou que o Poder Legislativo precisa criar novas regras para diminuir o acesso dos brasileiros a apostas virtuais.

“Precisamos dificultar cada vez mais o acesso às apostas. Nós estamos aqui fazendo uma mea-culpa. Precisamos legislar para diminuir ao máximo os riscos e os danos dessa atividade. Agora estamos aqui aprendendo e trocando o pneu com o carro andando, porque é um mundo novo para todos nós”, declarou Thronicke.

Entre as sugestões para diminuir a possibilidade de vício em jogos, André Rolim sugeriu que fosse estabelecido um tempo máximo que um usuário pode ficar em uma plataforma de apostas.

Contando sobre sua experiência pessoal, o empresário refletiu sobre a eficácia de medidas de restrição a empresas do setor de apostas e o impacto real para as pessoas viciadas.

“Quando era viciado, eu acho que não teria política que me segurasse. O adicto, quando ele está ativo, faz o que tiver que fazer para jogar. Ele engana, ele dá o jeito dele… É meio ilusório achar que a gente vai restringir uma pessoa que tem acesso a dinheiro a conseguir parar de jogar”, disse Rolim.

Ainda segundo a Agência Senado, Rolim contou que começou a sofrer com a ludopatia por mais de vinte anos, sendo o ápice do problema em 2021, quando se internou em uma clínica de reabilitação por quatro meses para superar o vício. O empresário afirmou que apostava em poker, jogos de roleta, jogos esportivos, cassino, loteria, entre outros.

“Depois de três ou quatro anos, eu percebi que não estava mais conseguindo administrar minhas dívidas. Eu entrava basicamente umas oito vezes por dia e jogava em torno de meia hora, às vezes uma hora. O ganhar é lindo, dopamina lá em cima. Mas o perder é uma decepção, é uma vontade de inexistir. Eu perdi casa, eu perdi carro, e ainda estou pagando dívidas. Eu devia cartão de crédito, família, amigos, agiota… Ainda há consequências”, contou André.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que é relatora do projeto de lei Nº 3563/2024, que tem o objetivo de proibir a publicidade e patrocínio de bets, participou da sessão da CPI.

“Quando nós estamos tratando de um alcoólatra, a gente não deixa ele próximo do álcool. Como tratar um ludopata, se estamos oferecendo o produto para ele a cada segundo? É impossível viver nessa nação sem ser bombardeado pelas bets. Se vai assistir um jogo de futebol, está lá a propaganda da bet, se vai assistir uma novela, está lá a bet”, disse Damares.

Ainda durante a sessão, os senadores aprovaram quatro requerimentos de envio de informações e documentos, sendo um deles referente a uma das empresas investigadas pela CPI, a Playflow Processadora de Pagamentos.

Também foram aprovados dois requerimentos de convocação para depor na CPI de representantes das empresas Pinbank Brasil e Brax Produção e Publicidade.

Membro do colegiado, o senador Izalci Lucas (PL-DF) defendeu a prorrogação do prazo da CPI, o prazo atual para o fim das reuniões é 30 de abril.

Veja também: CPI das Bets: Comissão avalia quebra de sigilo de 71 casas de apostas autorizadas pelo governo

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