IBJR e ABFS criticam falas do ministro da Fazenda sobre a indústria de jogos: “Minimiza o setor”

IBJR e ABFS criticam falas do ministro da Fazenda sobre a indústria de jogos: “Minimiza o setor”

Para entidades que representa o setor, as falas do ministro desviam o foco do verdadeiro problema que é o mercado ilegal.

A indústria de jogos de azar segue reagindo negativamente às falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre as bets. O ministro afirmou que seria favorável a uma possível proibição dos jogos online e que a arrecadação gerada pelo setor não compensaria a sua continuidade.

Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) publicou uma nota manifestando surpresa e consternação com as declarações de Haddad. Segundo a ANJL, o ministro teria usado termos considerados difamatórios, como chamar a indústria de jogos no Brasil de “desgraça”.

Outros representantes do setor, como o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação de Bets e Fantasy Sport (ABFS), também se manifestaram de forma crítica sobre as recentes declarações do ministro.

Veja também: Apostas esportivas: Governo prorroga até setembro atuação do GTI-Bets, grupo que monitora o setor

O IBJR afirmou, em nota, que reagiram com perplexidade às declarações do ministro Fernando Haddad “que minimiza a arrecadação do setor de apostas”. A instituição lembrou a importância do setor para a economia, com o que gera com pagamento de outorgas e de tributação. Entre janeiro e maio deste ano, a indústria de jogos pagou cerca de R$ 2,3 bilhões (USD 416 mi) em licenças de operação e mais de R$ 3 bilhões [USD 543 mi] em impostos, segundo dados da Receita Federal.

“Esse valor poderá chegar a R$ 10 bilhões [USD 1.8 bi] até o final deste 1º ano de regulamentação do setor, de acordo com projeção da LCA Consultoria Econômica – recursos com destinação a áreas estratégicas como Saúde, Segurança Pública, Esporte e Educação”, disse o Instituto na nota.

De acordo com o IBJR, as falas do ministro desviam o foco do problema real, o mercado ilegal, que ocuparia 51% do setor e geraria um prejuízo anual de R$ 10 bilhões [USD 1.8 bi] ao país. Segundo a entidade, as declarações de Haddad “diminuem a importância do ambiente regulado criam insegurança jurídica, desestimulam investimentos e, na prática, fortalecem as operações ilegais que o governo deveria combater”.

A ABFS fez críticas ainda mais duras ao ministro: “As declarações evidenciam a falta de compromisso de sua liderança com o mercado regulado de apostas — um setor regulamentado sob sua própria gestão. O ministro tem reiterado falas desprovidas de base técnica, alinhando-se a narrativas de setores contrários à regulamentação. E, pior, demonstra desconexão com o trabalho sério e competente desenvolvido pela própria Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) de seu ministério”, afirmou a associação em nota.

“A guerra de narrativas contra as bets já ultrapassou o debate racional. Alguns setores da economia têm buscado vilanizar o jogo, baseando-se em informações questionáveis e distorcidas para deslegitimar um mercado que contribui significativamente com a arrecadação e que poderia, se bem administrado, ajudar o país a enfrentar desafios fiscais com responsabilidade e transparência”, acrescentou a ABFS.

Neste artigo:
Apostas esportivas Indústria de jogos Regulamentação do jogo