Como foi o depoimento de Virginia Fonseca na CPI das Bets no Senado

Virginia Fonseca prestou depoimento nesta terça-feira (13) (Foto: Andressa Anholete - Agência Senado)
Virginia Fonseca prestou depoimento nesta terça-feira (13) (Foto: Andressa Anholete - Agência Senado)

Influenciadora falou sobre seus contratos com casas de apostas e negou que ganha comissão com as perdas de seus seguidores.

Brasília.- A influenciadora digital e apresentadora de TV Virgínia Fonseca afirmou à CPI das Apostas que não recebe comissões baseadas nas perdas dos seus seguidores em contratos com casas de apostas. Ela prestou depoimento como testemunha na última terça-feira (13).

Virgínia se comprometeu a entregar à CPI os contratos com as casas de apostas Esportes da Sorte e Blaze, atendendo a um pedido da senadora Soraya Thronicke. Ela negou irregularidades e desmentiu uma reportagem da revista Piauí, destacando que seus contratos são normais.

“Se a revista Piauí quis agir de má-fé, eu não vou gastar o meu tempo [processando]. Eu acredito na justiça de Deus. Se eu dobrasse o lucro [da empresa], eu receberia 30% a mais. Isso era uma cláusula padrão, na época, com todos os outros meus contratos, não só bets. Em momento algum [falava sobre] perdas dos meus seguidores, nunca teve [dispositivo] sobre isso no contrato”, afirmou.

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Virgínia Fonseca declarou que não tinha conhecimento das suspeitas de irregularidades envolvendo a empresa Esportes da Sorte, com a qual fez contratos publicitários. A empresa foi investigada pela Polícia Civil de Pernambuco em 2024 por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a jogos ilegais. A influenciadora não tem mais vínculo com a marca.

A influenciadora contou que seu contrato atual prevê uma publicação semanal no Instagram, onde tem mais de 50 milhões de seguidores. Ela disse ainda que começou a divulgar apostas em dezembro de 2022 e que segue as normas de publicidade do setor conforme elas vão sendo atualizadas.

“Quando eu posto, sempre deixo muito claro que é um jogo, para se divertir, que [o usuário] pode ganhar e pode perder. Que para menores de 18 anos é proibido, que se possui qualquer tipo de vício o recomendado é não entrar, para jogar com responsabilidade… Coloco todas as imagens exigidas pelo Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária]. Nunca falei para a pessoa entrar para fazer o dinheiro da vida dela. Não estou fazendo nada fora da lei”, afirmou.

Virginia foi convocada a pedido da relattora da CPI, senadora Soraya Thronicke (Foto: Andressa Anholete – Agência Senado)

A senadora Soraya disse que teve dificuldade em identificar alertas sobre os riscos das apostas nas publicações de Virgínia e que gostaria de vê-los com mais frequência. Ela citou um vídeo, exibido na reunião, onde os avisos seriam insuficientes. Virgínia respondeu que o conteúdo foi publicado antes da adoção de regras mais rígidas para esse tipo de propaganda.

“Lá atrás era diferente do que é hoje. Ainda não tinham essas exigências do Conar de que era para falar [sobre jogo responsável] no início do vídeo. O Conar está sempre mudando e mandando mais exigências. As casas de apostas já mandam tudo certinho, o que não pode falar. Por exemplo, as minhas filhas não podem aparecer”, explicou a influenciadora.

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A senadora Soraya Thronicke perguntou se Virgínia usa a mesma conta que qualquer usuário comum para criar os conteúdos de divulgação. Ela alertou que algumas casas de apostas fornecem contas ou apps específicos para influenciadores, que podem manipular os resultados para parecerem mais vantajosos na propaganda.

“A conta que é feita para eu jogar não necessariamente é uma conta fake. [Eu jogo] na mesma plataforma [que todos os outros usuários], ganha e perde”, respondeu Virginia.

Virgínia prestou depoimento à CPI a pedido da senadora Soraya Thronicke. Na noite anterior ao depoimento, a influenciadora conseguiu junto ao STF o direito de permanecer em silêncio e de não produzir provas contra si mesma. Mas, durante a oitiva, a apresentadora respondeu a praticamente quase todos os questionamentos.

A comissão apura possíveis ilegalidades no mercado de apostas e o papel de influenciadores digitais na promoção de jogos online.

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