Apostas ilegais no Brasil: prejuízo à arrecadação pode chegar a R$10,8 bilhões por ano
Estudo encomendado pelo setor aponta que metade do mercado opera na clandestinidade; empresas legalizadas questionam aumento de impostos e alertam para avanço de sites irregulares.
A atuação de sites de apostas ilegais no Brasil pode estar custando até R$ 10,8 bilhões (USD 2,1 bilhões) por ano aos cofres públicos, segundo estudo da LCA Consultores divulgado nesta quinta-feira (13). A pesquisa, feita a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que entre R$26 bilhões e R$ 40 bilhões (USD 5,1 bilhões e USD 7,8 bilhões) são movimentados anualmente por plataformas não autorizadas, o que representa quase metade de todo o mercado de apostas do país.
Entre fevereiro e abril deste ano, a operação irregular gerou uma perda estimada entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões (USD 353 milhões e USD 529 milhões) em arrecadação. No mesmo período, o mercado legal movimentou R$ 9,6 bilhões (USD 1,88 bilhão), demonstrando o peso da informalidade no setor.
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As apostas legais e ilegais movimentam juntas entre R$ 64 bilhões e R$ 78 bilhões (USD 12,5 bilhões e USD 15,3 bilhões) ao ano no Brasil, segundo o levantamento.
Setor critica aumento de imposto e alerta para avanço do ilegal
A divulgação dos dados ocorre no momento em que o governo federal decidiu aumentar de 12% para 18% a alíquota sobre a receita das operadoras legalizadas, por meio de Medida Provisória publicada na quinta-feira (12). A mudança fiscal faz parte do pacote que visa compensar a revisão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
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Para representantes do setor, a medida pode ter efeito contrário: enfraquecer o mercado regulado e abrir espaço ainda maior para as plataformas clandestinas.
“Porque há cinco meses tínhamos um cenário claro e as empresas optaram por comprar a outorga do governo, pagá-la e poder prestar esse serviço. Existia um planejamento que agora foi rompido”, afirmou o presidente executivo do IBJR, Fernando Vieira, ao O Globo. “A gente quer trazer a questão do mercado ilegal como um grande problema e tentar demonstrar que você arrecada mais combatendo o mercado ilegal.”
Em nota, seis associações que representam as casas de apostas advertiram que a elevação de impostos poderá levar à saída de empresas regularizadas do mercado e à expansão do jogo ilegal. Segundo o setor, a carga tributária total com a nova regra pode se aproximar de 50%, ao fim da transição da reforma tributária.
Haddad: “Não gosto de jogo”
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a mudança, dizendo que a alíquota de 18% já fazia parte da proposta original de regulamentação.
“O setor está tendo um lucro bruto de cerca de R$40 bilhões (USD 7,8 bilhões) anualizados e não gera emprego”, afirmou nesta quinta-feira.
“Eu, pessoalmente, não gosto de jogo e penso que é uma coisa que deve ser até repensada pelo Congresso Nacional,” concluiu.
61% dos jogadores já apostaram em sites ilegais
Além da LCA, o Instituto Locomotiva também divulgou nesta quinta-feira uma pesquisa que mostra a alta penetração dos sites irregulares entre os jogadores brasileiros:
- 61% já apostaram em plataformas não autorizadas
- O índice sobe para 69% entre os jovens de 18 a 29 anos
- 78% dizem ter dificuldade em diferenciar sites legais e ilegais
- 46% já fizeram depósitos em sites depois identificados como irregulares
O levantamento ouviu 2 mil jogadores de todas as regiões do país entre abril e maio de 2025.
Desde o início da regulamentação, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) já desativou mais de 11 mil domínios irregulares. Atualmente, o país conta com 79 operadores autorizados a funcionar.
A LCA estimou os impactos considerando uma carga tributária total de 27% sobre o volume movimentado, somando impostos federais e estaduais. Mesmo na projeção mais conservadora, a perda anual de arrecadação com apostas ilegais é de pelo menos R$ 7,2 bilhões (USD 1,41 bilhão ).