ANJL rebate Abras e diz que alta nas vendas de alimentos não tem relação com a proibição das bets

ANJL rebate Abras e diz que alta nas vendas de alimentos não tem relação com a proibição das bets

Associação cita recuo da inflação e reajuste de 15% no Bolsa Família como principais fatores de aumento no consumo.

Resumo

  • A ANJL publicou nota contestando a Abras, que associou o aumento do consumo de alimentos à proibição das apostas online.
  • Segundo a Abras, as vendas de alimentos no varejo subiram 6,5% de 5 a 11 de outubro e 6,3% de 12 a 18 de outubro, na comparação com 2025.
  • A ANJL reconhece a alta, mas a atribui à queda da inflação: o IPCA-15 ficou em 0,38%, contra 0,7% no mês anterior, segundo o IBGE.
  • A entidade também cita o reajuste de 15% no Bolsa Família, em vigor desde outubro, e o recuo de preços como cenoura (10,67%), frutas (1,37%) e café (1,16%).
  • O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, afirma que milhões de apostadores seguem jogando em mais de 30 mil sites ilegais acessíveis no Brasil.

A ANJL contestou em nota os dados da Abras que ligavam a alta de 6,5% nas vendas de alimentos no varejo à proibição das apostas online no Brasil. Para a associação do setor de jogos, o consumo cresceu por fatores macroeconômicos, como o IPCA-15 de 0,38% em outubro e o reajuste de 15% no Bolsa Família, e não pelo fim do mercado regulado. O presidente Plínio Lemos Jorge reforça que milhões de apostadores seguem ativos em mais de 30 mil sites ilegais e acusa o debate de mobilizar a opinião pública com informações sem comprovação.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) publicou uma nota contestando dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) de que o consumo dos brasileiros, sobretudo no setor de alimentos, teria aumentado após a proibição das aposta online no país.

Segundo o levantamento da Abras divulgado nesta semana, as vendas de alimento no varejo tiveram alta de 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro, em relação ao mesmo período no ano anterior. Na semana seguinte, o crescimento no comércio seguiu crescendo em 6,3% de 12 a 18 de outubro em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com a associação de supermercados, os produtos com maior procura em outubro foram arroz, óleo, macarrão e café.

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A ANJL reconhece o crescimento no consumo, mas discorda de que a proibição das bets seja a razão para o aumento nas vendas. Segundo a Associação, as verdadeiros causas estariam relacionadas a fatores macroeconômicos, como a redução da inflação, que impactou na redução dos preços de diversos alimentos que compõem a cesta básica.

Para sustentar a argumentação, a ANJL usa dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro, que registrou um recuo no avanço da inflação. Segundo o IBGE, o IPCA-15 do período de 16 de setembro a 14 de outubro foi de 0,38%, índice menor do que no mês anterior, quando foi registrado 0,7%.

Essa redução no avanço da inflação possibilitou, de acordo com o IBGE, que produtos ficassem mais baratos, a exemplo da cenoura, que ficou 10,67% mais barata, frutas em geral, que tiveram redução de 1,37% nos preços, e o café, que teve 1,16% de diminuição no preço. Outros itens, como feijão, leite e carnes, também ficaram mais acessíveis.

A ANJL atribui a ampliação do consumo a outro fator: o reajuste de 15% no valor pago mensalmente pelo Programa Bolsa Família que passou a vigorar em outubro. Na visão do presidente da Associação, Plínio Lemos Jorge, os dados econômicos comprovariam que a proibição das bets não tem relação com o consumo de alimentos.

“Mais uma vez, um setor que sempre se opôs à indústria de apostas lança ilações à sociedade brasileira sobre os impactos das apostas. Esquece ou ignora, de forma proposital, que atualmente milhões de apostadores continuam jogando, mas nos mais de 30 mil sites ilegais disponíveis e acessíveis no Brasil”, disse Lemos Jorge.

“A propagação de informações falsas, sem comprovação em dados concretos, parece mais uma tentativa de mobilizar a opinião pública para um lado. Não sabemos com quais intenções isso é feito. Os mais prejudicados não são as empresas, mas os apostadores brasileiros, que, sem o mercado legalizado, continuarão à mercê dos sites ilegais”, acrescentou o presidente da ANJL.

Perguntas frequentes (FAQs)

  • O que a Abras disse sobre o consumo de alimentos após a proibição das bets? Segundo o levantamento da entidade, as vendas de alimentos no varejo subiram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, em relação ao mesmo período de 2025. Arroz, óleo, macarrão e café foram os mais procurados.
  • Por que a ANJL discorda da Abras? A associação reconhece o aumento do consumo, mas diz que a proibição das bets não é a causa. Para ela, pesam a redução da inflação, que baixou preços da cesta básica, e o reajuste de 15% no Bolsa Família.
  • Qual foi o IPCA-15 de outubro? O índice, que cobre de 16 de setembro a 14 de outubro, foi de 0,38%, abaixo dos 0,7% registrados no mês anterior, segundo o IBGE.
  • Os brasileiros pararam de apostar após a proibição? Segundo a ANJL, não. A entidade afirma que milhões de apostadores continuam jogando em mais de 30 mil sites ilegais acessíveis no país.
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