Rico Melquíades na CPI das Bets: influenciador nega utilizar conta de demonstração e faz jogo ao vivo
Influenciador foi convidado a depor como testemunha na comissão que investiga possíveis irregularidades na atuação das plataformas de apostas e jogos online.
Brasília.- Durante depoimento à CPI das Bets nesta quarta-feira (14), o influenciador digital Rico Melquiades negou utilizar contas de demonstração para divulgar apostas online. A pedido da relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), ele acessou o “Jogo do Tigrinho” em tempo real, utilizando o próprio celular, para provar que aposta com dinheiro real.
“Eu posso falar do que eu divulgava, que eu perdia e ganhava também. Não tenho conhecimento [de outros artifícios como “contas de demonstração”]. Desde janeiro [após a regulamentação], eu crio o meu usuário. Tem que botar seu documento, seu CPF. Eu que boto dinheiro na conta para fazer as divulgações”, afirmou Rico segundo publicação da Agência Senado.
Chamado como testemunha, o influenciador admitiu ter firmado um acordo com o Ministério Público de Alagoas para evitar ser processado por promover apostas online de forma irregular. Trata-se de um acordo de não persecução penal.
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Rico disse que não poderia comentar o acordo com o Ministério Público por ser sigiloso, alegou que houve vazamento e negou envolvimento em qualquer ato ilegal ou ligação com esquemas de lavagem de dinheiro.
“Eu fazia [propaganda para] a Blaze. Eu desconheço esse negócio de formação de quadrilha. A minha relação com as plataformas de apostas foi só como influenciador; fiz campanhas publicitárias. Tudo foi documentado de forma legal. Eu sempre segui as regras que eram vigentes na época”, declarou, se comprometendo a entregar cópia dos contratos aos senadores.

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A revelação sobre o acordo de não persecução penal partiu do senador Izalci Lucas (PL-DF), que leu trechos do documento. Esse tipo de acordo é um entendimento entre o Ministério Público e o investigado, mediante o cumprimento de condições específicas.
“O senhor confessou formalmente a sua participação nos crimes de associação criminosa e falsidade ideológica no contexto da promoção do “jogo do tigrinho”. Essa confissão resultou na homologação de um acordo que incluiu um pagamento de multa de R$ 1 milhão. O que motivou a mudança da sua posição inicial, em que negava qualquer irregularidade?, indagou o senador, segundo reportagem da Agência Senado.
O advogado de Rico Melquiades, Diego Luiz Cavalcanti Duca, esclareceu que as informações mencionadas pelo senador Izalci dizem respeito à operação Game Over 2, da Polícia Civil de Alagoas, mas não significam que seu cliente tenha feito uma confissão.
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