Fim das bets deixa TV sem setor que investiu R$ 2,12 bilhões

Fim das bets deixa TV sem setor que investiu R$ 2,12 bilhões

Operadoras lideraram os investimentos na TV aberta em cinco meses de 2026, e emissoras enfrentam dificuldades para recompor receitas.

Resumo

  • As bets investiram R$ 2,12 bilhões (US$ 417,2 milhões) em publicidade na TV aberta e por assinatura entre janeiro de 2025 e junho de 2026.
  • Entre janeiro e agosto de 2026, as operadoras aplicaram R$ 542,4 milhões (US$ 106,8 milhões) na TV aberta.
  • As bets lideraram o ranking de anunciantes da TV aberta em cinco dos oito primeiros meses de 2026.
  • As dez maiores operadoras concentraram 94,2% dos investimentos publicitários do setor na televisão.
  • A Abert pediu ao STF a suspensão da MP 1.394/2026, alegando perdas de receitas e rompimento de contratos publicitários.

A proibição das bets no Brasil retirou do mercado televisivo um setor que investiu R$ 2,12 bilhões (US$ 417,2 milhões) em publicidade entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Segundo levantamento da Tunad, divulgado na quarta-feira (21), as operadoras de apostas estavam entre os principais anunciantes da TV aberta, e a interrupção dos contratos deixou emissoras diante do desafio de substituir uma fonte expressiva de receitas.

Somente entre janeiro e agosto de 2026, as operadoras destinaram R$ 542,4 milhões (US$ 106,8 milhões) à TV aberta, liderando o ranking de anunciantes em cinco dos oito meses analisados. O investimento superou em aproximadamente R$ 100 milhões (US$ 19,7 milhões) o realizado pelas plataformas de streaming, segunda categoria com maior volume de recursos destinados ao meio.

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O levantamento também revela uma concentração dos investimentos entre as principais operadoras. As dez maiores empresas responderam por 94,2% de toda a verba publicitária do setor na televisão, enquanto apenas duas concentraram 40% desse montante. Entre as dez líderes, 93,1% dos recursos foram destinados à TV aberta.

Em 2025, as bets já haviam investido mais de R$ 1,44 bilhão (US$ 283,4 milhões) em publicidade na televisão, no rádio e em plataformas de streaming, conforme estudo anterior da Tunad. Desse total, 85% foram direcionados à TV aberta. BetMGM, Betano e Betnacional concentraram 62% dos investimentos em TV e rádio.

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Apesar dos valores expressivos, os gastos publicitários do setor já apresentavam desaceleração antes da proibição. Após a Copa do Mundo, os investimentos das bets na televisão recuaram 34,5%, passando de R$ 234,2 milhões (US$ 46,1 milhões) para R$ 153,5 milhões (US$ 30,2 milhões), considerando períodos comparáveis de 39 dias.

A publicação da Medida Provisória (MP) 1.394/2026, em 25 de setembro, interrompeu a publicidade das apostas no país. As emissoras tiveram até 5 de outubro para retirar do ar os anúncios contratados. Operadoras como Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte anunciaram o encerramento de acordos comerciais, enquanto Globo, Band e ESPN suspenderam inserções publicitárias.

Segundo a Tunad, nenhuma outra categoria de anunciantes apresenta capacidade imediata de substituir o volume de investimentos das bets. A avaliação é que as emissoras poderão comercializar novamente os espaços disponíveis, mas não necessariamente pelos mesmos valores. O CEO da empresa, Cesar Sponchiado, afirmou que não há prazo definido para a recomposição dessas receitas.

Diante dos impactos financeiros, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2 de outubro, a suspensão da medida provisória. A entidade argumenta que a proibição provocou perdas de receitas e rupturas contratuais que não seriam integralmente revertidas mesmo com uma eventual suspensão da norma.

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A MP 1.394/2026 permanece em vigor e precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. O prazo inicial de vigência termina em 23 de novembro, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias.

Perguntas frequentes

Quanto as bets investiram em publicidade na televisão brasileira? Segundo a Tunad, as operadoras aplicaram R$ 2,12 bilhões (US$ 417,2 milhões) em TV aberta e por assinatura entre janeiro de 2025 e junho de 2026.

Qual era a participação das bets na publicidade da TV aberta? As empresas de apostas lideraram o ranking de anunciantes em cinco dos oito primeiros meses de 2026. Entre janeiro e agosto, investiram R$ 542,4 milhões (US$ 106,8 milhões) no segmento.

Quais emissoras foram afetadas pela proibição das bets? A matéria cita Globo, Band e ESPN entre as emissoras que suspenderam inserções publicitárias após a publicação da MP 1.394/2026.

As emissoras conseguirão recuperar as receitas perdidas com as bets? Segundo a Tunad, não há outra categoria de anunciantes capaz de substituir imediatamente o volume de investimentos das apostas. Os espaços poderão ser revendidos, mas não necessariamente pelos mesmos valores.

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