Proibição das bets pode gerar impactos em 42 atividades econômicas, aponta levantamento
O estudo foi produzido pela LCA Consultoria a pedido do IBJR.
Resumo
- A MP nº 1.394/2026 pode ultrapassar o setor de apostas de quota fixa e alcançar até 42 atividades econômicas.
- As apostas online integram uma cadeia produtiva que envolve tecnologia, publicidade, eventos e serviços corporativos.
- O estudo estima que essa cadeia gerou mais de 15,5 mil empregos diretos e indiretos no ano passado.
- Considerando apenas os empregos diretos, foram movimentados mais de R$ 460 milhões em salários anualmente e cerca de R$ 87 milhões em encargos sociais.
- A proibição das bets não encerra esses postos de imediato, mas pode causar declínio no longo prazo se a MP seguir em vigor.
- Mesmo com o fim do setor, as empresas teriam despesas por pelo menos cinco anos e, se o mercado regulado retornar, precisariam reativar estruturas, contratar profissionais e renegociar contratos.
Os impactos gerados pela publicação da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026 pode ultrapassar o setor de apostas de quota fixa. De acordo com um levantamento técnico da LCA Consultoria, produzido a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), o alcança da norma pode chegar a 42 atividades econômicas.
Segundo o estudo, as apostas online integram um rede de práticas que inclui segmentos como tecnologia, publicidade, eventos e serviços corporativos. A LCA estima que essa cadeia produtiva gerou mais de 15,5 mil empregos diretos e indiretos no ano passado.
Veja também: Bets saem do ar no Brasil após fim do prazo estabelecido pelo governo
Considerando apenas os empregos diretos, a empresa calcula que foram movimentados mais de R$ 460 milhões (US$ 92,3 milhões) por ano em salários e R$ 87 milhões (US$ 17,5 milhões) em encargos sociais. De acordo com os pesquisadores, a proibição das bets não encerra esses postos de trabalho de imediato necessariamente, mas que pode gerar um declínio nessas vagas no longo prazo se a MP seguir em vigor.
O levantamento aponta ainda que esses valores não foram os únicos valores gastos pelo setor regulado de igaming no país, já que foram necessários investimentos para se adequar às normas da regulamentação do país. As empresas precisaram contratar pessoas, aprimorar áreas como tecnologia, contratos, compliance, segurança cibernética, atendimento ao consumidor e operação.
“Por trás das plataformas há trabalhadores, fornecedores e empresas que se estruturaram para atender ao mercado regulado. Quando uma operação é interrompida, o impacto chega a quem trabalha com tecnologia, publicidade, atendimento e tantos outros serviços. É essa dimensão que precisa entrar no debate”, comentou Carlos Lima, presidente do IBJR.
Veja também: Lula x Flávio Bolsonaro: veja o que os presidenciáveis pensam sobre as apostas
Segundo Lima, mesmo após o encerramento do setor, as companhias ainda terão despesas durante os próximos anos. “A MP determina que as empresas mantenham íntegros e acessíveis, por pelo menos cinco anos, dados, documentos e registros relativos às operações e continuem prestando informações à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA)”, explica o executivo.
O representante do IBJR ressalta um outro possível problema para o setor. Caso a medida provisória perca a eficácia e o mercado regulado retorne, as empresas que demitiram pessoas e encerraram áreas estruturais vão precisar reativar tudo novamente, contratar novos profissionais e renegociar contratos com fornecedores.
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News