MPF investiga empresa sem funcionários ligada a bet que teria movimentado R$ 4 bilhões entre 2022 e 2025
A Receita Federal identificou movimentações financeiras envolvendo companhias com sede no exterior.
Resumo
- O MPF e a Receita Federal investigam a LCT Pagamentos e Serviços, empresa que teria feito transações milionárias para o Grupo NSX, que administra as bets Betnacional, Mr. JackBet e PagBet.
- A empresa, sem funcionários e com apenas um endereço postal na Avenida Faria Lima, teria movimentado R$ 4 bilhões em contratos de câmbio entre dezembro de 2022 e janeiro de 2025.
- As autoridades identificaram o envio de remessas ao exterior para empresas do próprio Grupo NSX, incluindo a NSX Enterprise N.V., com sede em Curaçao.
- A Receita considera que as 28 operações de câmbio simultâneo, que somam R$ 3,5 bilhões, não têm justificativa econômica e podem ser uma tentativa de simular regularidade para a atividade.
- A LCT também é suspeita de não ter a autorização do Banco Central para operar pagamentos a plataformas de apostas.
- A Receita Federal apura como a empresa movimentou bilhões mesmo sem funcionários registrados.
- A NSX Brasil nega irregularidades, afirma que atuava com licença estrangeira desde 2018 e que foi adquirida pela Flutter Entertainment em 2025, reiterando confiança na regularidade de suas atividades.
São Paulo.- O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal investigam a LCT Pagamentos e Serviços, uma empresa sem funcionários que mantinha apenas um endereço postal na Avenida Faria Lima, em São Paulo, de fazer transações milionárias para o Grupo NSX, companhia do setor de apostas de quota fixa que administra as marcas Betnacional, Mr. JackBet e PagBet.
No final de agosto, o MPF e a Receita Federal deflagraram a Operação Jogo de Sombras, que apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas à exploração de apostas de quota fixa. Na época, Grupo NSX foi um dos alvos. De acordo com a investigação atual, a empresa na Faria Lima teria ligações com movimentações financeiras do grupo.
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Segundo o que publicou o site Metrópoles, a LCT Pagamentos e Serviços teria movimentado 682,7 milhões de euros em contratos de câmbio, o equivalente a R$ 4 bilhões, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2025. As transações financeiras chamaram a atenção da Receita, que abriu uma investigação. Na sequência, o MPF obteve autorização judicial para quebrar os sigilos fiscal e bancário da empresa.
As autoridades identificaram o envio de remessas para empresas do Grupo NSX no exterior. Do total movimentado, cerca de 601,1 milhões de euros (R$ 3,5 bilhões), passaram por 28 operações de câmbio simultâneo. Em cada remessa teriam sido fechados contratos de compra e de venda de moeda estrangeira na mesma data e valor.
O destino dos valores enviados eram empresas do próprio Grupo NSX no exterior, a exemplo da NSX Enterprise N.V., que tem sede em Curaçao. Apesar de operações de câmbio simultâneo não serem ilegais, a Receita Federal considerou que não há uma justificativa econômica para essas transações realizadas pela LCT.
Segundo as autoridades, as movimentações da forma como foram feitas, principalmente com destinatárias do próprio grupo empresarial, têm o objetivo de dar um aspecto de regularidade à atividade. O MPF e a Receita suspeitam de que as transações permitiam que o dinheiro que tinha origem no Brasil fosse registrado como tendo sido proveniente do exterior.
Um agravante do caso é que a autoridades suspeitam que a LCT não possui autorização do Banco Central para operar pagamentos para plataformas de apostas. Além disso, a Receita busca apurar como a companhia financeira mesmo não tendo nenhum funcionário conseguiu intermediar movimentações bilionárias.
Em nota, a NSX Brasil afirmou que quando começou as atividades, em 2018, ainda não havia uma regulamentação do setor de apostas e, por isso, a empresa buscou uma licença estrangeira para atuar.
“A estruturação internacional, com licenças obtidas em outras jurisdições, era a forma legal e viável de atuação. Foi nesse contexto que a companhia estruturou sua operação por meio da NSXEnterprise N.V., empresa regularmente constituída e com licença internacional. A LCT Pagamentos atuava como prestadora de serviços financeiros da operação. Os clientes pagavam em reais, via Pix, e a LCT realizava o processamento das transações, incluindo o fechamento do câmbio, o recolhimento dos tributos devidos e o envio dos recursos ao exterior”, explica a empresa na nota.
“Todas as operações eram realizadas por meio de instituições financeiras autorizadas, de acordo com as normas cambiais estabelecidas pelo Banco Central, com os devidos registros e documentação correspondente, garantindo a rastreabilidade. O mesmo processo formal e documentado era adotado no retorno de recursos ao Brasil. Com o novo marco regulatório, a NSX adaptou sua estrutura às novas exigências, constituiu a NSX Brasil e obteve autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda”, acrescentou.
“Posteriormente, foi adquirida pela Flutter Entertainment, maior operadora global do setor e listada na Bolsa de Nova York (NYSE), em uma transação precedida por um amplo processo de avaliação e due diligence. Concluída a aquisição, em 2025, foi criada a Flutter Brazil, incorporando à operação os padrões globais de governança e compliance da empresa irlandesa. A companhia reitera sua confiança na regularidade de suas atividades e segue colaborando integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos”, finaliza a nota.
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News