Mercado ilegal movimenta metade do dinheiro das bets, diz presidente da Associação Brasileira de Fantasy Sports
As empresas legalizadas renderam ao governo federal mais de R$ 3 bilhões em impostos entre janeiro e maio de 2025.
O mercado clandestino movimentaria metade dos valores das apostas esportivas e jogos de cassino online no Brasil, segundo Rafael Marcondes, o presidente da Associação Brasileira de Fantasy Sports (ABFS). A afirmação foi feita pelo executivo em entrevista ao site Poder360.
“Estimamos que cerca de 50% dos valores em apostas no Brasil sejam movimentados pelo mercado ilegal, que não é fiscalizado, não é controlado, não presta contas para o poder público, mais especificamente para os entes reguladores, como o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras], o Ministério da Fazenda e o Ministério do Esporte”, afirmou Marcondes ao site.
O executivo é também advogado com atuação em direito tributário, esportivo e de entretenimento, além disso, é diretor jurídico da plataforma Rei do Pitaco.
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Marcondes comentou sobre a discussão entre os líderes do governo federal sobre mudanças na legislação das bets. “O mercado acaba de ser regulado. Como qualquer ciclo regulatório é preciso maturação para avaliar se as medidas que estão sendo impostas são adequadas e suficientes. A exploração do mercado ilegal não segue regras e ocorre de forma abusiva. Esses abusos e extrapolação cometidos por operadores ilegais acabam maculando a imagem do mercado de apostas brasileiro”, disse.
Um dos pontos abordados pelo executivo na entrevista foi o recente aumento da carga tributária das casas esportivas. O Ministério da Fazenda elevou a tributação sobre o Gross Gaming Revenue (GGR), a receita bruta dos jogos. “Esse aumento de carga tributária é um tanto quanto preocupante para o setor de apostas, porque, quando a gente pensa isoladamente na taxa de 12% para 18%, tem que considerar que é um aumento em um tributo específico, que é cobrado adicionalmente do setor de apostas esportivas e não tem paralelo em outros setores”, afirmou Marcondes.
Segundo o advogado, as empresas do setor de jogos pagam Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) e Imposto Sobre Serviços (ISS).
“A gente não pode ignorar que o setor tem uma série de outros encargos tributários, como os impostos corporativos pagos por qualquer empresa prestadora de serviço. Nós já temos uma carga tributária, sem considerar esse aumento, da ordem de 42%. Sem falar que o Congresso acaba de aprovar um Imposto Seletivo especificamente sobre o setor de apostas e ainda tem uma alíquota em aberto, a ser definida”, afirmou o presidente da ABFS.
Governo arrecada mais de R$ 3 bilhões entre janeiro e maio com a tributação das bets
A Receita Federal divulgou, na quinta-feira (26), um balanço da arrecadação do governo com a tributação das empresas de apostas esportivas e jogos de cassino online. A União recolheu mais de R$ 3 bilhões (USD 547 mi) com a atividade entre janeiro e maio de 2025. A título de comparação, no mesmo período do ano passado, a arrecadação foi de R$ 7 milhões (USD 1.3 mi), um valor 40.000% menor.
De acordo com o que publicou o UOL, levando-se em consideração apenas o mês de maio, o crescimento no recolhimento de impostos das bets foi de 23.096%. A arrecadação foi de R$ 814 milhões (USD 148,3 mi) no quinto mês de 2025 e de R$ 4 milhões (USD 729.180) no mesmo período em 2024.
A indústria de jogos rendeu mais em imposto do que outros setores econômicos tradicionais em maio de 2025, como a educação, que gerou R$ 516 milhões (USD 94 mi) em arrecadação; R$ 507 milhões (USD 92.4 mi) pagos pelo varejo; e produção de máquinas e equipamentos, com R$ 408 milhões (USD 74.3 mi) em tributos.