Ludopatia: atletas relatam vício em plataformas de apostas esportivas
Jogador de futebol Dodô e jogador de futsal Vassoura contaram sobre problema nas redes sociais.
O jogador de futebol Paulo Henrique Athanazio, o Dodô, que já atuou por Campinense e Bahia contou sobre o seu problema com apostas esportivas nas redes sociais. O atacante, que está sem clube, assumiu publicamente a ludopatia e ressaltou que nunca se envolveu com manipulação de resultados.
“Sempre fui sorridente, alegre e brincalhão. Desde 2022, eu comecei a conhecer o mundo das apostas. Nunca fiz manipulação de resultado, graças a Deus. Mas eu gostava de apostar, não era jogo do Tigrinho, era jogo de futebol”, disse Dodô em vídeo publicado no Instagram.
“Quando fui ver estava distante do relacionamento com a mãe da minha filha, atualmente não tenho contato com minha mãe, irmãs. Perdi meu apartamento, carro, minha carreira. Se eu jogar um campeonato amador hoje, o dinheiro que pego é para pagar uma dívida”, acrescentou o atleta.
O caso de Dodô não é o único. De acordo com o Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) há dois milhões de viciados em jogos no Brasil. O jogador de futsal pernambucano, Williams Oliveira, o Vassoura, também falou sobre a ludopatia durante uma entrevista em um podcast.
“Jogo desde os 14 anos. Perdi casa, carro e ano passado procurei tratamento. Se Deus perguntasse o que eu tiraria da minha vida, eu tiraria o jogo de apostas. Você não perde só o dinheiro. Perde tempo, família. Não é fácil”, disse Vassoura.
“Eu cresci vendo minha mãe jogar jogos de azar. A galera fala assim: mas poxa, por que você é viciado? Eu sou um cara sozinho no mundo, eu não tenho pai, não tenho mãe, não tenho ninguém. Então, acontece qualquer coisa comigo, só tem eu para resolver”, complementou o jogador de futsal de 39 anos, que atualmente joga pelo Atlético Piauiense.

Jogador de Futsal Vassoura. (Foto: Reprodução/Instagram)
Para os interessados em saber se estão passando dos limites nas apostas, existem programas como o da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), que identifica apostadores compulsivos e os direciona para acompanhamento.
Como explica Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional, e diretor de conhecimento (CKO) da EBAC, reconhecer os sinais de uma compulsão por jogos pode ser difícil. “Por isso, é importante buscar auxílio profissional o quanto antes, e, não hesitar em contar com o apoio da família, já que muitas vezes o compulsivo não enxerga o quanto o jogo afeta sua vida”, disse Costa.
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