Justiça do Rio de Janeiro registra explosão de processos contra bets em 2026

Justiça do Rio de Janeiro registra explosão de processos contra bets em 2026

Levantamento do Tribunal de Justiça aponta mais de 689 ações em 2026; apostadores cobram mais de R$ 20 milhões de três operadoras.

Rio de Janeiro.- O número de processos judiciais envolvendo empresas de apostas online no Rio de Janeiro cresceu mais de 1.000% entre 2024 e 2026. Segundo levantamento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), foram registradas 58 ações em 2024, 439 em 2025 e mais de 689 entre janeiro e setembro deste ano. O aumento ocorre em meio à proibição das bets no Brasil, determinada pelo governo federal por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026.

As ações envolvem diferentes reclamações de apostadores, como prêmios não pagos, alterações nas cotações das apostas (odds), bloqueios de contas, dificuldades para realizar saques e cláusulas consideradas abusivas. Também há processos relacionados ao endividamento e à dependência em jogos online.

Veja também: Procon do Rio de Janeiro multa 175 bets por infrações aos direitos do consumidor

Entre as empresas com maior número de ações estão a Kaizen Gaming Brasil, responsável pela Betano; a HS do Brasil, operadora da Bet365; e a Ana Gaming Brasil, detentora da marca 7K Bet. Juntas, as três empresas são alvo de processos nos quais os apostadores reivindicam mais de R$ 20 milhões (US$ 3,7 milhões).

Um dos casos relatados pelo tribunal envolve um apostador que realizou quase 1.500 transferências via Pix para plataformas de apostas ao longo de três anos, acumulando mais de R$ 500 mil em depósitos. A dependência em jogos também levou o homem a contrair empréstimos, acumular dívidas e perder o emprego, mesmo após tentativas de interromper as apostas.

O desembargador Peterson Barroso Simão, integrante da Segunda Câmara Criminal do TJRJ, destacou a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção aos consumidores. “Temos que reconhecer que determinadas práticas podem produzir riscos que exigem informação, limites de publicidade, mecanismos de proteção e fiscalização mais rigorosa”, afirmou.

Veja também: Procon do Rio de Janeiro divulga cartilha com orientações sobre riscos das bets e prevenção ao endividamento

O magistrado também defendeu a criação de uma rede de prevenção e tratamento para pessoas com dependência em apostas. “A pessoa que desenvolveu uma relação compulsiva com o jogo não precisa apenas de uma decisão judicial. Precisa de tratamento, apoio psicológico, acompanhamento familiar e condições concretas para reconstruir a vida”, ressaltou.

Neste artigo:
Apostas esportivas Brasil Indústria de jogos Jurídico Rio de Janeiro