Cassino online recebe quatro vezes mais críticas que apostas esportivas, mostra estudo da FGV

Cassino online recebe quatro vezes mais críticas que apostas esportivas, mostra estudo da FGV

Pesquisa com 30 mil publicações e 26 entrevistas indica que o apostador enxerga risco, e regulação, de formas distintas em cada modalidade.

Resumo

  • Pesquisa da professora Lilian Carvalho, da FGV EAESP, mostra que os jogos de cassino recebem quatro vezes mais publicações negativas em redes sociais que as apostas esportivas.
  • O estudo analisou 30 mil publicações e fez 26 entrevistas com apostadores, e foi apresentado em 26 de outubro, no 1º Observatório de Estudos Betting Brasil, em São Paulo.
  • Os apostadores associam as apostas esportivas a conhecimento, estratégia e autocontrole, e veem slots e crashgames como jogos de sorte, com apelo visual que pode levar ao vício.
  • Os apostadores reconhecem os riscos, mas acreditam que suas próprias apostas são controladas e que o exagero é coisa dos outros.
  • Segundo Carvalho, a literatura científica indica que a publicidade amplifica vulnerabilidades existentes, mas não cria o transtorno do jogo, e a MP nº 1.394 parte de uma leitura que os estudos não sustentam integralmente.

Os jogos de cassino online recebem quatro vezes mais publicações negativas nas redes sociais do que as apostas esportivas, segundo pesquisa da FGV EAESP apresentada em 26 de outubro, em São Paulo. O levantamento mostra que, embora sejam oferecidos nas mesmas plataformas, o apostador brasileiro vê as duas modalidades como universos distintos, com graus diferentes de risco. Para a autora, a professora Lilian Carvalho, esse dado deveria orientar políticas de proteção ao jogador, como a discussão em torno da MP nº 1.394.

São Paulo.- Uma pesquisa conduzida por Lilian Carvalho, professora de marketing da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP), identificou que os apostadores brasileiros têm visões diferentes sobre as apostas esportivas e os jogos de cassino online, mesmo ambas sendo modalidades de jogos online e ofertadas nas mesmas plataformas. Segundo o estudo, os games de cassino recebem quatro vezes mais publicações negativas em redes sociais do que a outra categoria.

Carvalho analisou 30 mil publicações em redes sociais e realizou 26 entrevistas com apostadores para compreender qual a visão que os brasileiros têm da atividade de jogos online. Os resultados do levantamento foram apresentados durante o 1º Observatório de Estudos Betting Brasil, em São Paulo (SP), em 26 de outubro.

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De acordo com a pesquisadora, os consumidores de igaming acreditam que as apostas esportivas estão associadas a conhecimento, estratégia e autocontrole. Por outro lado, jogos como slots ou crashgames dependem exclusivamente da sorte e têm mais apelos visuais que podem levar ao vício e perdas financeiras.

Segundo o que observou Carvalho, os próprios apostadores entendem as atividades como tendo graus distintos de risco. “Nossa pesquisa com apostadores brasileiros revela algo que a regulação ignora: para o consumidor, aposta esportiva e cassino online são mundos diferentes. O mercado é que juntou os dois sob a mesma marca. Entender essa distinção é essencial para desenhar qualquer política que queira proteger quem precisa de proteção”, argumenta a pesquisadora.

Outro dado interessante constatado pelo estudo é o de que os apostadores do país têm compreensão sobre os riscos das apostas, porém eles acreditam que as próprias entradas que fazem são controladas e o que o exagero nas apostas é algo que os outros fazem.

Lilian Carvalho participou da palestra Além do Senso Comum: a Literatura Científica e a Publicidade e Ludopatia do Observatório de Estudos Betting. Além de demonstrar os dados identificados pelo seu levantamento, a pesquisadora também apresentou estudos de outros países sobre a relação entre publicidade e transtorno do jogo.

“Há um consenso científico que raramente chega ao debate público: a publicidade amplifica vulnerabilidades que já existem, mas não cria o transtorno do jogo. Isso não significa que a publicidade seja irrelevante. Significa que a política pública precisa mirar quem é de fato vulnerável, em vez de presumir que todo apostador é um paciente em potencial”, disse Carvalho.

“A MP nº 1.394 parte de uma leitura do problema que a literatura não sustenta integralmente. Meu papel no Observatório não é defender um lado, é colocar a evidência na mesa. Se vamos regular, restringir ou proibir, que seja a partir do que os estudos mostram, e não do que parece óbvio”, completou.

Perguntas frequentes (FAQs)

  • Qual a diferença entre apostas esportivas e cassino online na visão do apostador brasileiro? Para os apostadores ouvidos, as apostas esportivas envolvem conhecimento, estratégia e autocontrole. Já slots e crashgames dependem apenas da sorte e têm mais apelos visuais associados ao vício e a perdas financeiras.
  • Como foi feita a pesquisa da FGV sobre apostas e cassino online? A professora Lilian Carvalho analisou 30 mil publicações em redes sociais e realizou 26 entrevistas com apostadores. Os resultados foram apresentados no 1º Observatório de Estudos Betting Brasil.
  • A publicidade de apostas causa o transtorno do jogo? Segundo Carvalho, o consenso científico é que a publicidade amplifica vulnerabilidades que já existem, mas não cria o transtorno. Por isso, ela defende que a política pública mire quem é de fato vulnerável.
  • O que a pesquisadora diz sobre a MP nº 1.394? Carvalho afirma que a MP parte de uma leitura do problema que a literatura científica não sustenta integralmente. Ela diz que seu papel é colocar a evidência na mesa, e não defender um lado.

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