Presidente nacional do PT admite risco da proibição das bets fortalecer o mercado clandestino

Edinho Silva, presidente do PT. (Foto: Reprodução/Instagram)
Edinho Silva, presidente do PT. (Foto: Reprodução/Instagram)

Edinho Silva defendeu uma transição que considere o financiamento do futebol.

Resumo

  • Edinho Silva, presidente nacional do PT, falou ao Poder360 sobre a proibição das apostas de quota fixa pela MP nº 1.394/2026.
  • Segundo ele, o PT nunca formulou uma posição coletiva sobre as bets, e existe apenas a posição do governo Lula.
  • Silva admite que a proibição pode abrir espaço para o jogo online clandestino, com risco de apropriação pelo crime organizado e de lavagem de dinheiro.
  • Ele defende um período de transição que considere o papel das bets no financiamento do futebol brasileiro e diz que essa é uma posição pessoal.
  • Silva aguarda a decisão do STF e afirma que não se pode abrir mão da proteção da renda das famílias.

Edinho Silva, presidente nacional do PT, afirmou ao Poder360 que o partido nunca definiu uma posição coletiva sobre as bets, e que a posição existente é a do governo Lula. Ele admitiu que a proibição prevista na MP nº 1.394/2026 pode favorecer o mercado clandestino de jogos online e defendeu, como opinião pessoal, um período de transição que leve em conta o financiamento do futebol brasileiro pelas empresas de apostas. Silva aguarda a decisão do STF e disse que a proteção da renda das famílias não pode ser deixada de lado.

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, concedeu uma entrevista ao Poder360 e comentou, entre outros assuntos, as consequências da proibição do mercado regulamentado de apostas de quota fixa por meio da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026. Segundo Silva, a defesa da suspensão da atividade não é uma unanimidade no partido, já que a agremiação nunca definiu uma posição oficial sobre o tema.

“O PT nunca formulou uma posição coletiva sobre as bets. O que existe é uma posição do governo do presidente Lula, com a qual penso que todos nós concordamos, diante da forma como as bets se desenvolveram no Brasil, provocando danos à renda das famílias brasileiras”, disse o representante do partido.

Veja também: Fux sobre proibição das bets: “Todo ato do governo tem de ter a proteção da confiança legítima”

Edinho, por outro lado, admite que a suspensão abrupta da atividade pode fortalecer o mercado irregular de jogos. “A proibição das bets pode abrir espaço para que os jogos online se desenvolvam de forma clandestina, na ilegalidade. E o jogo ilegal, como demonstra a própria história do Brasil, pode acabar sendo apropriado pelo crime organizado e utilizado como instrumento de lavagem de dinheiro”, declarou.

O político defendeu um período de transição para o encerramento do mercado de apostas, levando-se em consideração principalmente os patrocínios de apostas online ao esporte nacional. “Também precisamos considerar a construção de um processo de transição que leve em conta a presença das bets no financiamento do futebol brasileiro. É inegável que essas empresas passaram a ocupar um espaço importante não apenas no patrocínio dos clubes, mas em toda a cadeia econômica e na indústria do futebol. Por isso, penso que devemos buscar um caminho que estabeleça um ambiente de transição, com a preservação de direitos”, afirmou.

Edinho disse ainda que aguarda a resolução da situação das bets que deve ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ressaltou que o posicionamento sobre um período de transição é uma opinião pessoal dele. “A partir da definição [do STF], penso que poderá ser aberto um espaço mais amplo de diálogo sobre o tema. Quero enfatizar que essa é uma posição pessoal, não uma posição do governo ou uma formulação coletiva do PT. Mas considero fundamental reafirmar que não podemos, em nenhuma hipótese, abrir mão da proteção da renda das famílias brasileiras. Precisamos combater todas as formas de dependência provocadas pelas bets, especialmente nas modalidades de jogos on-line”, finalizou.

Perguntas frequentes (FAQs)

  • O PT tem posição oficial sobre as bets? Não. Segundo Edinho Silva, o partido nunca formulou uma posição coletiva sobre o tema. Existe a posição do governo Lula, com a qual ele acredita que todos concordem, em razão dos danos que a forma de desenvolvimento das bets provocou à renda das famílias brasileiras.
  • Qual é o risco de proibir as bets, segundo Edinho Silva? Ele afirma que a proibição pode abrir espaço para que os jogos online se desenvolvam na ilegalidade. Citando a história do Brasil, diz que o jogo ilegal pode ser apropriado pelo crime organizado e usado como instrumento de lavagem de dinheiro.
  • Edinho Silva defende um período de transição para o fim das bets? Sim, como posição pessoal, e não do governo ou do PT. Ele pede que a transição considere a presença das bets no patrocínio dos clubes e em toda a cadeia econômica do futebol, com a preservação de direitos.
  • Qual é o papel do STF no futuro das bets, segundo Edinho Silva? Silva aguarda a resolução da situação das bets que deve ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal. Para ele, a partir dessa definição, poderá ser aberto um espaço mais amplo de diálogo sobre o tema.

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