Economista contesta aumento do consumo após proibição das bets: “Os dados da própria Abras não corroboram isso”, afirma

Economista Eric Universo Rodrigues Brasil (Imagem: Reprodução TV Justiça- YouTube)
Economista Eric Universo Rodrigues Brasil (Imagem: Reprodução TV Justiça- YouTube)

Representante da ABLE, Eric Universo Rodrigues Brasil afirma que o consumo de alimentos já crescia antes da proibição e aponta outras causas para o endividamento das famílias.

Resumo

  • Eric Universo Rodrigues Brasil, representante da ABLE, contestou a relação entre a proibição das bets e o crescimento do consumo de alimentos no Brasil.
  • O economista afirmou que os dados da própria Abras não sustentam uma relação causal entre a medida provisória e o aumento das vendas dos supermercados.
  • Segundo Eric, o endividamento das famílias está relacionado principalmente a juros elevados, acesso ao crédito e dificuldades de educação financeira.
  • O mercado legalizado de apostas registrou faturamento bruto de R$ 37 bilhões (aproximadamente US$ 7 bilhões) em 2025, equivalente a menos de 0,5 por cento do consumo das famílias, segundo o economista.
  • Eric afirmou que a oferta de plataformas ilegais cresceu após a proibição, mas reconheceu que ainda não é possível determinar se houve aumento da demanda por apostas clandestinas.

O economista Eric Universo Rodrigues Brasil, representante da Associação Brasileira de Liberdade Econômica (ABLE), contestou a associação feita pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) entre o aumento do consumo de alimentos e a proibição das bets no Brasil. Durante audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada em 3 de novembro, ele afirmou que o crescimento das vendas já era observado antes da Medida Provisória 1.394/2026 e que os dados apresentados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito.

Brasília.- Durante audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (3), sobre a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu as apostas online no país, o economista Eric Universo Rodrigues Brasil, representante da Associação Brasileira de Liberdade Econômica (ABLE), contestou a relação entre o aumento do consumo de alimentos e a proibição das bets no Brasil, apontada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Ele afirmou que o crescimento do consumo já era observado antes da publicação da MP.

“O crescimento do consumo de alimentos no Brasil antecede a medida provisória. Não é possível fazer relação de causalidade entre uma coisa e outra. Os dados da própria Abras não corroboram isso”, declarou o economista.

A Abras associou parte do crescimento das vendas dos supermercados em outubro à proibição das apostas, sob o argumento de que recursos anteriormente destinados às bets passaram a ser utilizados na compra de alimentos. Para Eric, entretanto, os indicadores anteriores à medida provisória não permitem estabelecer uma relação direta entre os dois acontecimentos.

O economista também questionou a associação entre apostas e endividamento das famílias brasileiras. Segundo ele, de acordo com estudos do Banco Central, o problema tem causas estruturais relacionadas a taxas de juros excessivamente elevadas, abundância e desordenado uso de linhas de crédito e dificuldades de educação financeira.

“O endividamento das famílias tem causas estruturais que estão ligadas ao setor de crédito. Não é nenhum tipo de padrão de consumo. Não é gastar muito com streaming, não é gastar muito com aposta, não é gastar muito com alimentação fora de casa”, afirmou.

Veja também: Fux sobre proibição das bets: “Todo ato do governo tem de ter a proteção da confiança legítima”

Para contextualizar a participação das apostas na economia, Eric informou que o faturamento bruto do mercado legalizado alcançou R$ 37 bilhões (aproximadamente US$ 7 bilhões) em 2025, montante equivalente, segundo ele, a menos de 0,5% do consumo das famílias brasileiras.

O economista também contestou a interpretação de que os gastos com apostas legais necessariamente reduzem o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, parte dos recursos movimentados pelo setor retorna à economia por meio de outras atividades, como os patrocínios destinados a clubes de futebol e associações esportivas.

Por fim, Eric abordou o crescimento do mercado clandestino após a proibição. Embora tenha reconhecido que ainda não é possível afirmar se houve aumento da demanda por apostas ilegais, ele destacou que a oferta de plataformas não autorizadas cresceu significativamente desde a publicação da medida provisória.

Perguntas frequentes (FAQ)

  • O que a Abras afirmou sobre o consumo após a proibição das bets? A Associação Brasileira de Supermercados associou parte do crescimento das vendas de outubro à proibição das apostas online. Segundo a entidade, recursos anteriormente destinados às bets teriam passado a ser utilizados na compra de alimentos.
  • Por que o economista Eric Brasil contestou os dados da Abras? Eric afirmou que o consumo de alimentos já apresentava crescimento antes da proibição das apostas. Para ele, os indicadores não permitem concluir que a medida provisória tenha provocado o aumento das vendas dos supermercados.
  • Qual é a participação das bets no consumo das famílias brasileiras? Segundo Eric Universo Rodrigues Brasil, o faturamento bruto das apostas legalizadas foi de R$ 37 bilhões (aproximadamente US$ 7 bilhões) em 2025, valor equivalente a menos de 0,5 por cento do consumo das famílias brasileiras.
  • A proibição das bets aumentou as apostas ilegais no Brasil? Segundo o economista, houve crescimento significativo da oferta de plataformas não autorizadas após a proibição. No entanto, ele reconheceu que ainda não existem elementos suficientes para afirmar que a demanda por apostas clandestinas também aumentou. A consultoria LCA está estudando o comportamento desse mercado.
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