“Adiar o inevitável”: presidente da Loterj lamenta retirada da votação da legalização de jogos de azar da pauta no Senado

Hazenclever Lopes Cançado, presidente da Loterj.
Hazenclever Lopes Cançado, presidente da Loterj.

Na visão de Hazenclever Lopes Cançado, a demora para aprovar a proposta faz o país deixar de arrecadar recursos importantes.

O presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) Hazenclever Lopes Cançado lamentou o adiamento da votação do Projeto de Lei Nº 2.234/2022 do Plenário do Senado nesta terça-feira (8). A proposta visa legalizar o funcionamento de cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos no Brasil.

“Adiar o inevitável é negar ao Brasil a chance de avançar — e isso tem um custo que o país não pode mais pagar”, publicou Hazenclever em seu perfil no LinkedIn.

“A retirada de pauta foi um retrocesso que precisa ser encarado com seriedade. Uma decisão que posterga soluções concretas, impacta negativamente a geração de empregos, desestimula investimentos e mantém o Brasil preso a um modelo ultrapassado”, disse.

O presidente da Loterj afirmou que o adiamento da pauta não encerra o debate e que aqueles que são favoráveis ao projeto devem seguir lutando pela aprovação. “Lamento profundamente esse recuo, mas continuamos firmes na luta. A esperança permanece e a convicção, ainda mais forte: o Brasil precisa enfrentar esse debate com coragem e responsabilidade. Este é um passo estratégico para destravar investimentos, gerar milhões de empregos, fortalecer o turismo e ampliar a arrecadação sem aumento de impostos”, declarou Lopes Cançado.

“O Brasil já não pode viver sob o manto da omissão, enquanto bilhões de reais escorrem pela informalidade. Chegou a hora de escolher entre o atraso e o progresso. Entre o medo e a responsabilidade. A regulamentação dos jogos não é mais uma opção — é uma necessidade urgente. E nós seguiremos em frente, com firmeza e compromisso, até que o Brasil finalmente diga sim ao futuro que tanto merecemos”, concluiu.

Veja também: “Regulamentar é trazer luz a um setor que hoje opera nas sombras”, afirma senador Irajá sobre PL dos Cassinos

O adiamento da votação do Projeto de Lei 2.234/2022 foi uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador justificou a mudança por conta do baixo quórum de 56 parlamentares na sessão terça-feira (8).

Alcolumbre também explicou que oito senadores que gostariam de participar da votação estão fora do país. Além disso, nos últimos dias, o Senado recebeu sete pedidos de adiamento. Ainda não uma nova data para a pauta ir à votação.

O tema, que está aguardando a apreciação dos parlamentares há mais de 30 anos, teve a versão mais recente do texto aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Na visão do relator do projeto, o senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO), a regulamentação dos estabelecimentos físicos de jogos de azar representaria “trazer luz a um setor que hoje opera nas sombras”.

Segundo o relator a legalização dos jogos poderia render mais de R$ 33 bilhões (USD 5,89 bilhões) em arrecadação para o país. “A sociedade brasileira está pronta para esse avanço: segundo pesquisa recente do DataSenado, 60% dos brasileiros são favoráveis à  legalização dos cassinos. Ou seja, a maioria entende que o atual modelo de proibição não funciona e que o país tem muito a ganhar com uma regulamentação responsável e eficiente”, afirmou Irajá em entrevista à Focus em abril.

Neste artigo:
Cassinos no Brasil Indústria de jogos Jogos de azar Regulamentação do jogo