Sites de aposta superam popularidade do jogo do bicho, segundo levantamento

Sites de aposta superam popularidade do jogo do bicho, segundo levantamento

Segundo a pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça, a preferência nacional segue sendo as loterias.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) encomendou uma pesquisa sobre a preferência dos brasileiros em relação a jogos de azar. Publicado inicialmente pelo Estadão, o levantamento mostra que as loterias seguem sendo os jogos favoritos dos brasileiros, com 71,3%. Um dado que chamou a atenção é o de que as apostas esportivas superaram a popularidade do jogo do bicho, com 31,2% e 28,9%, respectivamente.

As informações fazem parte de uma pesquisa maior, o Levantamento de Álcool e Drogas, feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo inclui dados sobre vício em jogos, cigarros eletrônicos e uso de medicamentos sem prescrição médica. A temática do jogo compulsivo entrou na pesquisa por o ministério entender que ele tem características semelhantes à dependência química.

O levantamento ouviu 16 mil pessoas com 14 anos ou mais. O estudo dividiu os entrevistados em dois grupos: adolescentes, aqueles que tem entre 14 e 17 anos, e adultos, os maiores de 18. Segundo a pesquisa, 38,6% das pessoas têm risco de se viciar, sendo que 55,2% dos adolescentes estariam na zona de risco de propensão ao jogo descontrolado.

Mesmo sendo proibido nessa faixa etária, 10,5% dos menores de idade afirmaram que jogaram no último ano. Já os adultos que apostaram alguma vez em 2024 foram 18,1%. A região Sul foi a que teve mais pessoas jogando nesse período e o Nordeste a que teve menos.

Um dado que chamou a atenção do ministério é o de que as pessoas com maiores tendências de jogo preocupantes estão na faixa de renda que recebe menos de um salário mínimo, sendo 52,8% dos casos. Dos entrevistados que recebem um salário mínimo ou mais, 21,1% tendem ao jogo excessivo.

“Embora não envolva o uso de substâncias químicas, como álcool e outras drogas, o comportamento de jogar e apostar pode compartilhar características comuns com os transtornos por uso de substâncias, como perda de controle, tolerância e abstinência”, explicou ao Estadão, Bárbara Caballero, diretora de Pesquisa, Avaliação e Gestão de Informações da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do MJSP.

Na quarta-feira (26), o MJSP lançou o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid). Na oportunidade o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que o problema do vício em jogos por menores de idade e pessoas de baixa renda preocupa o governo federal.

“As bets não apenas estão prejudicando as pessoas adultas, infelizmente pessoas com menos recursos e até adolescentes estão gastando as economias dos pais e dos familiares nesse tipo de aposta”, disse o ministro.

Veja também: Saiba como foi o depoimento do empresário que superou o vício em jogos na CPI das Bets

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Apostas esportivas Indústria de jogos Jogos de azar Regulamentação do jogo