Relator retira de MP aumento de impostos sobre casas de apostas

Relator retira de MP aumento de impostos sobre casas de apostas

Mudança ocorre após resistências na base aliada. Novo texto prevê cobrança retroativa de tributos das operadoras de apostas.

Brasília.- O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator da Medida Provisória 1303/25, recuou na proposta de elevar a tributação sobre casas de apostas no Brasil, diante de resistências na base aliada. A MP, que visa aumentar a arrecadação federal, agora inclui um novo mecanismo de cobrança retroativa de tributos para empresas do setor que atuaram antes da regulamentação.

Segundo publicação do portal BNL Data, o novo parecer de Zarattini apresenta o “RERCT Litígio Zero Bets”, programa de regularização tributária apoiado pela Receita Federal. O mecanismo prevê alíquota única de 15% de imposto de renda, acrescida de multa de 100%, sobre valores não declarados ou declarados de forma incorreta referentes ao período entre 2014 e 2024.

A proposta original previa elevar a tributação das casas de apostas de 12% para 18% sobre a receita bruta, mas a alteração visa atender a preocupações de parte da base governista e evitar impasses na votação.

A votação da MP está prevista para esta terça-feira (7), em comissão mista do Congresso Nacional, no Senado. Após a aprovação na comissão, o texto seguirá para análise nos plenários da Câmara e do Senado até quarta-feira (8), sob risco de perder validade.

Programa de Regularização Tributária

O RERCT Litígio Zero Bets exige que empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda façam adesão voluntária, declarando sua situação patrimonial em 31 de dezembro de 2024 e pagando imposto e multa correspondentes, dentro de 90 dias após a publicação da lei.

O programa determina que provedores de internet removam sites de apostas clandestinos em até 48 horas, fortalecendo a fiscalização contra o mercado ilegal.

As empresas devem apresentar à Receita Federal uma declaração única com informações detalhadas sobre faturamento e receita bruta de apostas (gross gaming revenue – GGR), além da identificação completa e descrição de bens e direitos relacionados à atividade.

Veja também:IBJR emite nota sobre relatório da MP que propõe aumento da tributação sobre apostas

Os valores declarados serão considerados acréscimos patrimoniais, sujeitos ao pagamento do imposto de renda conforme o Código Tributário Nacional, sem possibilidade de deduções. A arrecadação será compartilhada entre União, Estados e Municípios.

Impacto Fiscal

O governo considera a MP essencial para atingir a meta fiscal de 2026, estimando arrecadar R$ 20,9 bilhões (US$ 3,91 bilhões) no próximo ano e reduzir despesas em R$ 10,7 bilhões (US$ 2,00 bilhões). Além das apostas, a MP trata também da tributação de outros fundos de investimento, ativos virtuais, operações em bolsa, empréstimos de ativos e investidores estrangeiros.

Neste artigo:
Apostas esportivas Arrecadação federal Brasil Indústria de jogos Regularização tributária Tributação