Proibição das bets pode dificultar combate à manipulação de resultados no Brasil, alerta IBIA
Relatório aponta riscos para o monitoramento de apostas suspeitas e estima que R$ 25 bilhões podem migrar para plataformas ilegais.
Resumo
- IBIA alerta que proibição das bets pode dificultar o combate à manipulação de resultados esportivos no Brasil.
- País registrou 25 alertas de apostas suspeitas em 2025, primeiro ano do mercado regulamentado.
- Futebol concentrou 51 dos 68 alertas identificados entre 2021 e 2025.
- Fim das operadoras licenciadas pode comprometer o monitoramento e o compartilhamento de informações com autoridades.
- Relatório estima que R$ 25 bilhões podem migrar para plataformas ilegais após a proibição.
A proibição das apostas esportivas e dos cassinos online no Brasil pode comprometer o monitoramento de apostas suspeitas e dificultar o combate à manipulação de resultados esportivos. O alerta é da International Betting Integrity Association (IBIA), que divulgou um relatório sobre os impactos da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada pelo governo federal em 25 de setembro. Segundo a entidade, o encerramento das operações regulamentadas ameaça mecanismos de fiscalização que contribuíram para identificar 25 alertas de apostas suspeitas em 2025.
O documento, intitulado Brasil: O Custo da Proibição, destaca que o número de alertas registrados no país passou de uma média anual de aproximadamente 11, entre 2021 e 2024, para 25 em 2025, primeiro ano do mercado regulamentado. Para a IBIA, esse aumento está relacionado ao fortalecimento dos mecanismos de monitoramento e comunicação das operadoras licenciadas, não significando necessariamente um crescimento dos casos de manipulação. “A regulação tornou visíveis as apostas suspeitas. A proibição desliga essa visibilidade”, afirma o relatório.
Entre 2021 e 2025, a associação registrou 68 alertas de apostas suspeitas no Brasil, envolvendo oito modalidades esportivas. O futebol concentrou 51 ocorrências, seguido por basquete e tênis, com seis registros cada. Somente em 2025, foram identificados 19 alertas no futebol, cinco no basquete e um na sinuca americana. O documento ressalta que “um alerta indica suspeita, e não manipulação comprovada”.
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Segundo a IBIA, as empresas autorizadas eram obrigadas a comunicar movimentações suspeitas e integrar organismos independentes de monitoramento de integridade. Com o fim do mercado regulamentado, a entidade avalia que as autoridades podem perder acesso a informações sobre contas de apostadores e transações suspeitas, dificultando investigações e processos relacionados à manipulação de resultados.
O relatório também apresenta estimativas sobre os impactos econômicos da proibição. Com base em dados da consultoria H2 Gambling Capital, a associação projeta que aproximadamente R$ 25 bilhões (US$ 4,6 bilhões), equivalentes a cerca de 60% do mercado regulamentado anterior, poderão migrar para operadores não licenciados. A entidade destaca que “a proibição elimina a oferta licenciada. Não elimina a demanda”.
Antes da proibição, o Brasil contava com mais de 80 operadoras autorizadas e aproximadamente 25 milhões de apostadores. Em uma avaliação do ambiente regulatório anterior à medida provisória, a IBIA atribuiu ao país 77 pontos em uma escala de 0 a 100, considerando critérios como regulamentação, tributação, publicidade e integridade esportiva.
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Diante desse cenário, a IBIA recomenda que o governo brasileiro reconsidere a proibição e preserve os mecanismos de fiscalização e compartilhamento de informações com as autoridades. A associação defende que o combate às plataformas ilegais seja acompanhado de medidas específicas de proteção aos consumidores e prevenção dos danos relacionados às apostas.
Por Equipe Editorial da Focus Gaming News