Gabriel Cavalieri, Booming Games: “No Brasil, é preciso compreender a cultura, a paixão e como as pessoas interagem com entretenimento”
O gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Booming Games fala sobre os desafios e oportunidades do mercado brasileiro de jogos.
Entrevista exclusiva.- O Brasil tem se tornado um dos maiores mercados de jogos de azar online do mundo. Esse crescimento gera tanto desafios como oportunidades para as empresas do setor de igaming que desejam operar no país. Gabriel Cavalieri, gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Booming Games, concedeu uma entrevista exclusiva à Focus Gaming News e comentou sobre as melhores estratégias para aumentar as chances de ter sucesso no mercado de jogos do Brasil.
Quais aspectos do mercado brasileiro mais chamaram sua atenção na hora de desenvolver uma estratégia específica para o país?
O Brasil é um mercado único e diversificado. O que mais me chamou a atenção é que não estamos falando de um único tipo de jogador, mas de um público muito amplo, com diferentes hábitos, preferências, regiões, culturas e formas de se envolver com o entretenimento.
Alguns jogadores se interessam mais por cassino online, outros preferem principalmente as apostas esportivas, e muitos deles podem ser alcançados através de estratégias inteligentes de venda cruzada. O futebol, é claro, desempenha um papel importante no Brasil. Faz parte da nossa cultura, das nossas conversas diárias e das nossas emoções. Isto cria diversas oportunidades para conectar o conteúdo do cassino com o público esportivo de uma forma mais natural.
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Por exemplo, os clubes brasileiros de futebol têm identidades, mascotes e culturas de torcedores muito fortes. Você tem clubes ligados a animais, símbolos e personagens como o porco, a raposa, o abutre, o mosqueteiro e muitos outros. Isto permite-nos criar conexões criativas entre temas de slots, jogos de animais, momentos futebolísticos e campanhas locais. No Brasil, a localização não se trata apenas de idioma. Trata-se de compreender a cultura, a paixão e a forma como as pessoas interagem com entretenimento.
Outro ponto importante é o quão bem funciona a mecânica dos free spins no Brasil. Os jogadores aqui são muito atraídos por experiências rápidas, simples e gratificantes. Vivemos em um mercado onde a velocidade é muito importante, desde pagamentos até bônus e jogabilidade. Quando os jogadores entram em um site e recebem imediatamente rodadas grátis para experimentar um jogo, esta pode ser uma ferramenta muito poderosa de aquisição e engajamento. Então, para nós, desenvolver uma estratégia brasileira significa combinar forte entendimento local, mecânica rápida, temas relevantes e comunicação certa para cada público.
Quão desafiador foi desenvolver produtos e soluções específicas para esse mercado? Quais foram os principais desafios que vocês enfrentaram inicialmente e como vocês superaram?
Definitivamente foi desafiador, mas também muito emocionante. O Brasil é um dos mercados mais competitivos do mundo atualmente, especialmente para fornecedores de cassinos. Existem muitos fornecedores que lutam por visibilidade, posicionamento e relevância nos mesmos operadores e plataformas. Isso significa que ter bons jogos não é suficiente. Você precisa de uma estratégia local forte, relacionamentos fortes, execução rápida e um entendimento claro do que cada operador precisa.
Um dos primeiros grandes desafios foi a regulamentação. Desde o início do mercado regulamentado, tem havido muitas discussões em torno de tributação, conformidade, relatórios e questões operacionais.
requisitos. Isto impacta diretamente a forma como operadores e fornecedores investem no mercado. Quando a carga fiscal é elevada, os pequenos operadores e pequenos fornecedores podem tornar-se mais limitados em termos de reinvestimento, campanhas e orçamentos promocionais. Como resultado, o mercado pode ficar mais concentrado em torno das empresas que já possuem estruturas mais fortes.
Outro desafio foi a integração. No Brasil, percebemos que algumas integrações podem ser mais lentas do que em outros mercados, principalmente porque as operadoras e plataformas lidam com muitos fornecedores ao mesmo tempo. Isso pode atrasar as ativações e dificultar a rapidez quando há uma boa oportunidade comercial.
Superamos esses desafios estando muito próximos do mercado. Construímos uma abordagem mais localizada, trabalhamos em estreita colaboração com operadoras reguladas, fortalecemos relacionamentos com plataformas e agregadores e adaptamos nossa estratégia promocional à realidade brasileira. Também nos concentramos na conformidade, garantindo que nossos produtos, relatórios e mecânicas de jogo estivessem alinhados com os requisitos locais. No Brasil é preciso ser flexível, mas também muito estruturado. Esse equilíbrio é extremamente importante.
Agora que o mercado regulado já opera no Brasil há quase um ano e meio, qual a sua visão sobre o estado atual da indústria no país?
Minha visão é muito positiva. O Brasil já provou que é um dos mercados mais importantes do mundo para a indústria igaming. O potencial é enorme e cada vez que analisamos o desempenho do mercado, o Brasil continua surpreendendo não só localmente, mas também globalmente.
A regulamentação foi um passo muito importante para posicionar o Brasil entre os principais mercados globais. Acredito fortemente que o Brasil tem potencial para estar entre os cinco principais mercados do mundo e, potencialmente, até mesmo entre os três primeiros nos próximos anos. Na Booming Games, o Brasil já é um dos nossos principais mercados globais, o que diz muito considerando o quão recente ainda é o ambiente regulamentado em comparação com jurisdições mais maduras.
O que vejo também é que o mercado está se profissionalizando e amadurecendo. Operadores, fornecedores e plataformas estão prestando mais atenção à conformidade, ao jogo responsável, à denúncia e à proteção dos jogadores. Isto é muito importante para a sustentabilidade a longo prazo da indústria.
Da nossa parte, estamos muito focados em trabalhar com operadoras regulamentadas no Brasil e em garantir que nossos jogos, mecânicas e comunicação sejam transparentes. Também garantimos que nossos operadores parceiros tenham acesso às informações necessárias, relatórios de jogos e documentação de conformidade. Para mim, o futuro do mercado brasileiro depende de fazermos as coisas corretamente e construir confiança com jogadores, reguladores e parceiros.
Como você acha que evoluirá nos próximos anos e que desafios você acha que enfrentará?
Acredito que o mercado brasileiro continuará crescendo fortemente nos próximos anos. Os jogadores brasileiros estão se familiarizando mais com as apostas esportivas e de cassino, à medida que a regulamentação avança, a percepção geral da indústria deverá continuar a melhorar.
O nível de investimento no Brasil já é muito alto. Temos mais operadores, mais fornecedores, mais plataformas e mais concorrência. Isto é saudável porque evita que o mercado se concentre apenas em algumas empresas e cria mais oportunidades de inovação. A competição obriga todos a melhorar, seja na qualidade dos produtos, nas campanhas, na experiência do usuário ou nos padrões de jogo responsável.
No entanto, um dos maiores desafios será combater os operadores ilegais ou não licenciados. Este é um ponto chave para o futuro do mercado. Os operadores licenciados fazem investimentos significativos, pagam licenças caras, seguem regras rigorosas e contribuem para o ecossistema regulamentado. Não é justo nem sustentável que concorram com empresas não licenciadas que continuam a operar sem as mesmas obrigações.
Acredito que o Brasil precisa continuar fortalecendo a fiscalização contra operadores ilegais. Os cassinos não licenciados prejudicam a imagem da indústria e criam riscos para os jogadores, operadores e investidores. Se o país quiser continuar construindo um mercado sério, transparente e sustentável, isso precisa ser uma prioridade.
No geral, estou muito otimista. O Brasil tem o público, a cultura, a paixão, o investimento e o ambiente competitivo para se tornar um dos mercados de igaming mais fortes do mundo. A chave é continuar crescendo com responsabilidade, regulamentação, inovação e um forte entendimento local.