Câmara aprova urgência para projeto que dobraria tributação do setor de apostas

Câmara aprova urgência para projeto que dobraria tributação do setor de apostas

Cabe ao presidente da casa decidir se leva ao Plenário o projeto para aumentar a taxação do GGR de 12% para 24%.

Brasília.- A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (22), o Requerimento nº 99/2025, que pediu urgência na tramitação do Projeto de Lei Nº 5.076/2025, que tem o objetivo de dobrar a tributação das empresas de aposta de quota fixa. A proposta é considerada uma das prioridades para o governo federal, que deseja elevar a arrecadação em 2026.

Com a aprovação na Comissão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), poderá levar o projeto de lei ao Plenário sem a necessidade de passar por outras comissões antes. O projeto de lei é de autoria do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pretende aumentar a alíquota de tributação sobre o faturamento bruto dos jogos, o chamado Gross Gaming Revenue (GGR), de 12% para 24%.

Veja também: IBJR propõe combate ao mercado ilegal de apostas como alternativa para aumentar arrecadação

A proposta foi oficializada depois de deputados da oposição conseguirem retirar da pauta de votação a Medida Provisória (MP) 1.303/25fazendo com que ela expirasse. A MP tinha o objetivo de ampliar a arrecadação do governo federal com a ampliação de impostos sobre diversas operações financeiras, incluindo o mercado de apostas esportivas.

Representantes do governo já haviam afirmado que, caso a Medida Provisória não fosse aprovada, buscariam outras formas de compensar a perda de arrecadação e que as plataformas de igaming seriam alguns dos alvos principais.

Enquanto a MP 1303/2025 elevaria os impostos sobre o GGR das plataformas de apostas de quota fixa dos atuais 12% para 18%, a proposta de Lindbergh é ir além e duplicar o recolhimento. De acordo com o parlamentar, a arrecadação maior poderia “reduzir o impacto social” das apostas online.

Segundo o texto do projeto de lei, os impostos extras seriam destinados para a seguridade social, com foco em ações na área da saúde. Um dos argumentos do autor da proposta é tornar o jogo menos atrativo para prevenir o vício na atividade. “Muitas pessoas, na ânsia de ganhar ‘dinheiro fácil’, acabam endividadas, deixando de gastar com alimentação e medicamentos”, disse Farias.

A alta tributação das empresas de apostas esportivas e cassino online no Brasil é fortemente criticada por representantes do setor. Na visão das entidades que reúnem companhias de jogos no país, aplicar mais impostos teria um efeito inverso ao que o governo espera.

De acordo com instituições como o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), uma carga tributária excessiva faria com que muitas empresas legalizadas desistissem de atuar no país, consequentemente reduzindo a arrecadação. Além disso, as plataformas ilegais teriam mais espaço para proliferar, levando mais riscos à população.

De acordo com o IBJR, uma forma de ampliar a arrecadação sem criar novos tributos é combater o mercado ilegal de apostas online que ainda está operando no Brasil.

“Atualmente, o mercado clandestino já representa até 51% das apostas no Brasil, movimentando cerca de R$ 40 bilhões (US$ 7.4 bi) por ano e gerando uma perda estimada de R$ 10,8 bilhões (US$ 2 bi) em arrecadação para o país, segundo estudo da consultoria LCA com a Locomotiva. A cada cinco pontos percentuais de formalização do mercado, o país pode arrecadar R$ 1 bilhão (US$ 186 mi) a mais”, afirmou o Instituto em nota.

“A elevação da carga tributária poderia destruir um mercado recém-regulado e empurrar milhões de apostadores para a ilegalidade, deixando-os desprotegidos e à mercê de fraudes e golpes praticados pelas bets clandestinas”, acrescenta o Instituto.

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