Galaxsys sobre a ascensão do igaming no Brasil: adaptação, e não apenas entrada, vai definir o sucesso

Vigen Safaryan, Chief Product Officer da Galaxsys
Vigen Safaryan, Chief Product Officer da Galaxsys

Em artigo, Vigen Safaryan, Chief Product Officer da Galaxsys, faz uma análise do setor no território brasileiro.

Opinião.- O Brasil tornou-se o mercado mais comentado no igaming — e por um bom motivo. Não se trata apenas de crescimento, mas de uma mudança estrutural na forma como operadores globais e estúdios de jogos encaram a expansão.

Durante anos, a América Latina foi vista como um mercado de potencial. Hoje, o Brasil, sozinho, está transformando esse potencial em uma realidade mensurável e em larga escala. Com a regulamentação em vigor e milhões de jogadores entrando no ecossistema, o mercado deixou de ser uma incógnita para se tornar prioridade.

Do ponto de vista de produto, o Brasil representa tanto uma oportunidade quanto um desafio — e a diferença entre os dois está diretamente ligada à capacidade de adaptação das empresas.

De mercado cinza a protagonista global

A reformulação regulatória no Brasil é um dos movimentos mais relevantes do setor nos últimos anos. A Lei 14.790, sancionada em 2023, seguida pela implementação do licenciamento federal em 2025, transformou o país de um ambiente sem regulação em um mercado estruturado e controlado.

Atualmente, operadores precisam pagar cerca de R$ 30 milhões (US$ 6 milhões) por uma licença de cinco anos, estabelecer uma entidade local e cumprir exigências rigorosas de verificação de jogadores, incluindo registro de CPF e monitoramento de transações em tempo real.

“Brasil não apenas regulamentou o mercado, elevou o nível. A exigência agora é muito maior, e isso beneficia todo o ecossistema”, afirma Safaryan.

Um mercado definido por escala e acessibilidade

Os números brasileiros reforçam essa dimensão. Com mais de 213 milhões de habitantes, o país é a maior economia da América Latina. Em 2025, a receita bruta do setor chegou a R$ 37 bilhões (US$ 7,4 bilhões), com cerca de 25 milhões de brasileiros — aproximadamente 12% da população adulta — realizando apostas em plataformas regulamentadas.

“No Brasil, escala importa mais do que o gasto individual. Você não está construindo para um nicho, mas para milhões de pessoas”, explica Safaryan.

Esse cenário exige que estúdios priorizem acessibilidade, retenção e apelo de massa, em vez de focar apenas em grandes apostadores.

Mobile como principal canal

Os jogadores brasileiros são majoritariamente mobile. Mais de 90% dos lares têm acesso à internet, e mais de 80% dos dispositivos utilizam Android, muitas vezes de médio ou baixo desempenho.

“Performance é tudo. Se o jogo não carrega rápido ou não roda bem em um dispositivo básico, o jogador se perde antes mesmo de começar a experiência”, destaca Safaryan.

Assim, o sucesso depende mais de simplicidade, velocidade e estabilidade do que de gráficos sofisticados ou mecânicas complexas. Jogos desenvolvidos para mercados como Europa ou América do Norte tendem a ter desempenho inferior no Brasil quando não são adaptados às condições locais.

Cultura como motor de engajamento

Jogadores brasileiros respondem fortemente a elementos culturais locais. Slots online continuam dominando o engajamento, mas jogos rápidos, como crash, plinko e formatos baseados em minas, vêm ganhando popularidade pela sua dinâmica imediata.

“Os jogadores no Brasil não querem perder tempo aprendendo — eles querem sentir o jogo imediatamente”, ressalta Safaryan.

O futebol tem forte influência, com cerca de 80% dos apostadores esportivos focados em partidas. Além disso, elementos visuais inspirados no Carnaval, música e símbolos locais aumentam significativamente o engajamento nos jogos de cassino.

Nesse contexto, localização vai além da tradução — trata-se de uma filosofia de design.

Parcerias serão decisivas

As exigências regulatórias, como presença local e participação brasileira nas operações, tornam as parcerias um fator crítico. Colaborar com operadores já estabelecidos permite acesso mais rápido à base de jogadores e facilita o cumprimento das regras.

“É preciso ter pessoas no terreno que entendam as nuances do mercado. Sem isso, as decisões são baseadas em suposições — e isso traz riscos no Brasil”, afirma Safaryan.

A adaptação da linguagem, do suporte e do marketing também é essencial. O português do Brasil não é apenas uma formalidade — é um fator de confiança.

Um mercado que recompensa compromisso

O crescimento do igaming no Brasil representa uma transformação estrutural de longo prazo. Com bilhões em receita, dezenas de milhões de jogadores e um ambiente regulatório que favorece a sustentabilidade, o país recompensa empresas dispostas a investir em localização, performance, compliance e adaptação cultural.

“O Brasil recompensa quem respeita a sua singularidade. Não se trata apenas de entrar no mercado, mas de fazer parte dele”, conclui Safaryan.

Consideração final

O Brasil já não é mais um mercado emergente — ele chegou. E, em muitos aspectos, está a moldar o futuro dos mercados de igaming. A questão para os estúdios já não é se devem entrar no país, mas se estão preparados para o que o Brasil exige.

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Brasil Galaxsys Indústria de jogos