Bets tentam negociar com governo para evitar aumento de imposto sobre apostas

Bets tentam negociar com governo para evitar aumento de imposto sobre apostas

Setor acredita que pagar impostos retroativos seja alternativa para evitar que o governo dobre a taxa sobre apostas.

Empresas de apostas esportivas online avaliam que a cobrança retroativa de impostos é a solução menos prejudicial para o setor diante da proposta do governo de dobrar a taxa sobre as apostas, de 12% para 24%. A medida, apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), visa compensar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 (US$ 933) mensais.

Conforme revelou reportagem da coluna Painel S.A. da Folha de S.Paulo, para representantes do setor, pagar tributos referentes ao período anterior à regulamentação das apostas seria um “remédio amargo”, mas aceitável, se isso evitar o aumento permanente da taxa.

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A proposta de elevar a alíquota tem o apoio do Ministério da Fazenda, que vê nas bets uma oportunidade de aumentar a arrecadação sem recorrer a cortes de despesas em ano pré-eleitoral. Porém, o segmento tenta convencer o governo de que a cobrança retroativa, que pode gerar cerca de R$ 12,5 bilhões (US$ 2,36 bilhões) em receita imediata, teria impacto fiscal mais rápido e menos danoso para o ambiente de negócios.

A ideia vem sendo discutida nos bastidores do Congresso como uma espécie de moeda de troca. As bets se articulam para que o pagamento de impostos atrasados, relativos às operações feitas a partir de paraísos fiscais antes da regulamentação do setor, seja aceito em troca de um aumento menor da taxa, limitado a 15%.

A cobrança retroativa é defendida desde o início do ano por integrantes da Receita Federal. Em março, o secretário Robinson Barreirinhas afirmou que empresas que tiveram rendimento no Brasil antes da legalização formal já deveriam tributar suas receitas. “Se tiveram faturamento e renda aqui, devem tributos ao país”, declarou na época.

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Executivos do setor de apostas argumentam que a proposta equilibraria as contas públicas no curto prazo e daria previsibilidade para o mercado, evitando o afastamento de operadores internacionais. Na visão deles, um aumento drástico da taxa poderia desestimular investimentos e reduzir a competitividade do segmento no país.

Ainda de acordo com a Folha, o Ministério da Fazenda foi questionado se considera essa alternativa, mas não respondeu ao contato.

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