iGaming no Brasil: OAB-RJ debate jogo responsável e sustentabilidade
Especialistas debateram temas como a regulamentação do setor de jogos online e os desafios do mercado brasileiro de iGaming.
Rio de Janeiro.- A Seção Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) promoveu o evento O Jogo Responsável e a sustentabilidade do iGaming no Brasil. O encontro, que foi realizado em parceria com a Associação Jogo Positivo, aconteceu na sexta-feira (28), na sede da OAB carioca.
A conferência debateu temas como a regulamentação do setor de apostas e jogos de cassino online, os desafios do mercado brasileiro de iGaming, jogo seguro, entre outros. O presidente da Comissão de Jogos e Loterias da OAB-RJ, Paulo Horn, foi o responsável pela abertura do encontro.
“Passamos seis anos sem nenhuma regra. O que aconteceu? Uma proliferação daquilo que já existia de gente explorando o mundo afora e de forma irresponsável. Tem gente que bota lá o jogo na rua e nem emprego paga. Por isso que o estado tem de estar presente, tem de garantir que aquele jogo cumpra a oferta que foi dada ao consumidor. Tem de ter um plano de premiação”, disse Horn.
O advogado especialista em Direito Regulatório, Daniel Homem de Carvalho, também integrou o painel e comentou sobre a concorrência no setor de jogos de azar no país. “Num regime de monopólio, é fácil. Sem concorrência, você vai colocar um produto pior mesmo. A concorrência é a melhor solução para o mercado, seja para competição entre o ilegal e o legal, seja para que o consumidor que percebe, sabe qual é o melhor jogo”, comentou.
“Melhor que o mercado tome a iniciativa de autorregulamento e comunique o governo: ‘Olha aqui a minha plataforma de controle, reconhecimento facial, limite de jogo por matrícula.’” E acrescentou: “O jogo ilegal continuará existindo. Como resolver isso? Com a concorrência. Os sites legais têm de atrair os apostadores”, acrescentou Carvalho.
O fundador da Associação Jogo Positivo, Filipe Rodrigues, apresentou os dados sobre a relação dos brasileiros com os jogos. “O brasileiro médio não compreende, na sua plenitude, que jogo é entretenimento. Essa informação é extremamente valiosa, principalmente para os operadores, na hora de criar suas campanhas de comunicação”, alertou Rodrigues.
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A conferência contou ainda com Jennifer Shatley, executiva na Responsible Online Gaming Alliance (ROGA), entidade que representa casas de apostas dos Estados Unidos.
“Nós queremos criar as melhores práticas e garantir que elas todas sejam baseadas em evidências. E eu não posso destacar o quão importante isso é. Porque se vamos gastar tempo, recursos e dinheiro nessas práticas, então devemos garantir que elas sejam práticas efetivas”, declarou Shatley.
Jennifer concluiu a fala comentando sobre o uso da tecnologia para identificar pessoas com riscos de vício, mas enfatizando o papel de quem acolher os jogadores compulsivos. “Quais as mensagens que você vai falar com eles [jogadores compulsivos] para tentar motivar essa mudança de comportamento? A tecnologia identifica o risco, mas nós temos que saber quais são os gatilhos que vão nos mostrar que uma pessoa está tendo um problema ou que pode ter algum comportamento arriscado”, disse.