IBJR publica nota contestando fala do presidente da República sobre proibição do mercado de apostas

IBJR publica nota contestando fala do presidente da República sobre proibição do mercado de apostas

Lula afirmou em entrevista nesta semana que se dependesse dele as bets seriam fechadas.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) publicou uma nota em seu site na quinta-feira (9) comentando as declarações do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sobre o mercado de apostas de quota fixa. Nesta semana, Lula afirmou que se dependesse dele as bets seriam fechadas.

Lula demonstrou preocupação com o aumento do endividamento da população e com os impactos do vício em jogos na saúde pública. O presidente também criticou o crescimento descontrolado do setor e afirmou que a atividade pode levar a problemas sociais.

Na nota, o IBJR afirma que compartilha das preocupações do presidente em relação ao bem-estar das famílias brasileiras, mas acrescenta que encerrar o mercado regulamentado não resolveria o problema. A entidade que representa o setor de jogos online defende que a proibição pioraria a situação ao dar ainda mais espaço ao mercado clandestino.

Veja também: O conflito de interesses das plataformas digitais na publicidade de jogos clandestinos

“A regulamentação é a ferramenta mais segura e eficaz para proteger a sociedade. O encerramento do mercado legal não extinguiria a demanda da sociedade, mas jogaria todos para a informalidade, eliminando os mecanismos de proteção e a expressiva arrecadação destinada a serviços públicos essenciais”, disse o Instituto no documento.

“O grande desafio compartilhado entre o setor e o Estado é o combate efetivo às plataformas clandestinas. Hoje, o mercado ilegal domina cerca de 51% do setor de apostas, movimenta aproximadamente R$ 40 bilhões anuais à margem da lei e causa um prejuízo estimado de R$ 10,8 bilhões por ano aos cofres públicos, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva com a LCA Consultoria. O fortalecimento do mercado formal, que opera sob uma das regulamentações mais modernas do mundo, é o caminho para estrangular a ilegalidade e garantir regras claras de integridade e proteção aos apostadores”, acrescento o IBJR.

Os representantes das bets explicaram ainda que, segundo um estudo técnico da LCA Consultoria, os gastos com plataformas de apostas representam de 0,2% a 0,5% do consumo das famílias brasileiras. O IBJR reforçou que as bets não são a principal causa de endividamento, posição que é ocupada pelas dívidas com cartão de crédito, problema que atinge 80,2% das famílias, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC).

“O ambiente regulado é o único que oferece travas de segurança obrigatórias, como limites de tempo de jogo, restrição de depósitos e a ferramenta de autoexclusão. A regulamentação é, portanto, a principal barreira para proteger a saúde financeira e mental dos brasileiros, garantindo um ambiente de entretenimento mais seguro”, defende o IBJR.

A entidade argumentou ainda que as operadoras de apostas de quota fixa têm contribuído financeiramente para o país. As plataformas legalizadas pagaram somadas aproximadamente R$ 2,5 bilhões (US$ 493,7 milhões) pela licença federal de operação e ainda geraram um arrecadação em impostos de mais de R$ 9,95 bilhões (US$ 1,96 bilhões) em 2025.

“O setor já provou ser um motor econômico crucial em seu primeiro ano de regulamentação. O segmento fomenta o mercado de trabalho qualificado, sustentando cerca de 15,5 mil empregos diretos e indiretos. Retroceder na regulamentação significaria suprimir receitas vitais para o desenvolvimento social e expor os brasileiros ao mercado marginal”, conclui o Instituto.

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