Alexandre Tomic, Alea: “Para nós, o Brasil continua sendo um dos mercados mais importantes”

Alexandre Tomic, Alea: “Para nós, o Brasil continua sendo um dos mercados mais importantes”

Em entrevista, Alexandre Tomic aborda os desafios do mercado brasileiro regulamentado, a expansão do ecossistema da Alea e as novidades da empresa para a SBC Summit Lisboa 2026.

Resumo

  • Alea apresenta na SBC Summit Lisboa 2026 suas soluções de Jackpot e apostas esportivas, desenvolvidas em parceria com a FIRST.bet.
  • Alexandre Tomic destaca a evolução da empresa para um ecossistema que vai além da agregação de jogos.
  • Executivo avalia os desafios do mercado brasileiro após o primeiro ano de regulamentação, incluindo tributação, compliance e custos de aquisição.
  • Tomic ressalta que estratégias internacionais precisam considerar as particularidades e o comportamento dos jogadores brasileiros.
  • A expansão da vertical de apostas esportivas e do Alea Jackpot está entre as prioridades da companhia para o segundo semestre.

Entrevista exclusiva.- A Alea chega à SBC Summit Lisboa 2026 com foco na expansão de seu ecossistema de soluções para o mercado de igaming. Além de apresentar novidades como o Alea Jackpot e sua solução de apostas esportivas desenvolvida em parceria com a FIRST.bet, a empresa participará de debates sobre sweepstakes, inovação e os desafios do mercado brasileiro regulamentado.

Em entrevista ao Focus Gaming News, Alexandre Tomic, fundador da Alea, aborda as prioridades estratégicas da companhia, a evolução de seu modelo de agregação e as oportunidades de negócios no Brasil. O executivo também analisa os desafios enfrentados pelos operadores após o primeiro ano de regulamentação e destaca a importância de compreender as particularidades do mercado brasileiro.

A Alea participa da SBC Summit Lisboa após um primeiro semestre bastante movimentado. Como será a presença da empresa em Lisboa e quais são seus principais objetivos em termos de visibilidade da marca e geração de negócios?

Lisboa reúne Europa, América Latina e, cada vez mais, o segmento de sweepstakes. Portanto, para nós, há muita coisa acontecendo em um só lugar.

No dia 30 de setembro, às 11h40, farei uma apresentação individual no palco Global & Emerging Markets, intitulada Beyond the Hype: What the Data Really Says About Sweepstakes (Além do hype: o que os dados realmente revelam sobre os sweepstakes). Depois, às 14h, Jordi e eu participaremos da coletiva de imprensa The Sweepstakes Phenomenon: The Data Reshaping Online Casino (O fenômeno dos sweepstakes: os dados que estão transformando os cassinos online).

No dia 1º de outubro, às 11h, participarei do painel Copycat Culture: Branding Beyond Visual Identity (Cultura da imitação: construção de marca além da identidade visual), no palco Tech Stage. Ao meio-dia, Jordi Sendra, nosso CEO, participará do painel Brazil Unfiltered: What Leaders Actually Think (Brasil sem filtros: o que os líderes realmente pensam).

Em nosso estande, também teremos o Luck Decoded diariamente, às 16h. Trata-se de uma ação promocional com sorteios que envolvem um elemento de sorte, mas também haverá algo capaz de mudar o resultado. Revelaremos exatamente como funcionará no próprio dia.

Em relação aos produtos, continuaremos apresentando o Alea Jackpot e realizando demonstrações para operadores. Também apresentaremos a solução de apostas esportivas que estamos lançando em parceria com a FIRST.

Serão dias bastante movimentados, mas essa é justamente a ideia. Muitos dos nossos clientes, fornecedores e profissionais que conhecemos há anos estarão presentes. Queremos mostrar o que estamos desenvolvendo e aproveitar a oportunidade para estar com eles enquanto todos estão reunidos no mesmo lugar.

A Alea começou como uma agregadora de jogos, mas seu ecossistema agora inclui pagamentos, Jackpot e apostas esportivas. Como a visão da empresa sobre agregação está evoluindo para além dos jogos?

A agregação continua sendo o centro do que fazemos, mas, com o tempo, percebemos que os operadores precisam de muito mais do que acesso a jogos.

Estamos posicionados entre operadores e fornecedores, e essa nem sempre é a posição mais confortável. Se um operador cresce o suficiente, pode estabelecer uma relação direta com um estúdio. Se um estúdio cresce o suficiente, também passa a desejar esse relacionamento direto. Por isso, precisamos nos perguntar constantemente por que eles deveriam continuar trabalhando conosco.

Para mim, a resposta é que a agregação precisa ir além dos jogos.

Foi por isso que lançamos o Alea Pay. O Jackpot surgiu de uma demanda dos nossos operadores, e o mesmo aconteceu com a solução de apostas esportivas. Eles queriam esse produto, então avaliamos como poderíamos oferecê-lo adequadamente. A FIRST.bet tinha a experiência e a qualidade que estávamos procurando.

Portanto, continuamos fazendo agregação. Estamos apenas aplicando essa mesma lógica a outras áreas do negócio dos operadores.

O painel “Brazil Unfiltered: What Leaders Actually Think” promete apresentar uma visão sem filtros sobre o que funcionou e o que não funcionou no primeiro ano de regulamentação no país, em um cenário de maior pressão tributária e aumento dos custos de marketing. Qual é a sua avaliação sobre o mercado brasileiro atualmente?

O Brasil é um dos mercados mais empolgantes da indústria, mas também se tornou muito mais exigente.

O início da regulamentação foi difícil. Muitas coisas aconteceram simultaneamente: certificação, tributação, novas exigências operacionais e aumento dos custos de aquisição de clientes. Todos precisaram se adaptar muito rapidamente. Desde então, o mercado apresentou uma forte recuperação, mas o primeiro ano demonstrou o quanto esse mercado exige preparação.

Também acredito que ainda estamos em uma fase muito inicial desse processo. A regulamentação continuará evoluindo, as condições econômicas seguirão mudando e os operadores estão aprendendo o que funciona e o que não funciona nessa nova realidade.

Para nós, o Brasil continua sendo um dos mercados mais importantes. É um mercado enorme, ainda há muita coisa por acontecer e não acredito que estejamos nem perto de conhecer sua configuração definitiva.

Na sua avaliação, o que caracteriza o mercado brasileiro atualmente e quais erros não podem ser repetidos na próxima fase de crescimento?

O Brasil se movimenta de maneira incrivelmente rápida. O comportamento dos jogadores muda rapidamente, tendências surgem de forma inesperada e algo que funciona durante seis meses pode apresentar um cenário completamente diferente seis meses depois.

O Fortune Tiger provavelmente é o melhor exemplo disso. Ninguém sentado na Europa poderia ter previsto a dimensão que aquele jogo alcançaria no Brasil.

Portanto, o maior erro é acreditar que é possível compreender o Brasil estando fora dele. Não basta pegar uma estratégia europeia, traduzi-la para o português e esperar que funcione. É preciso contar com profissionais brasileiros, ter acesso aos dados e estar suficientemente próximo do mercado para entender o que realmente está acontecendo.

Outro erro é acreditar que o tamanho do mercado torna tudo mais fácil. O Brasil é um mercado muito grande, mas ainda assim é necessário ser extremamente eficiente. Com os impostos, os custos de marketing e as exigências de conformidade regulatória (compliance), é fundamental saber exatamente para onde o dinheiro está indo e o que realmente está funcionando.

Existem muitas oportunidades, mas é preciso compreender o Brasil a partir de suas próprias particularidades.

Quais são as principais prioridades estratégicas da Alea para o segundo semestre do ano?

As apostas esportivas são o nosso principal foco. Lançamos recentemente essa vertical em parceria com a FIRST.bet e, agora, o objetivo é apresentá-la aos operadores e observar como eles utilizam a solução.

Também continuaremos impulsionando o Jackpot, com mais demonstrações e uma expansão de sua disponibilização.

Além disso, temos a SiGMA Roma, que será nosso próximo grande evento antes do encerramento do ano.

Neste artigo:
Alea Brasil Indústria de jogos SBC Lisboa